MP denuncia médico e atendente de mutirão da catarata em São Bernardo do Campo

Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio da Promotoria de Justiça de São Bernardo do Campo, denunciou à Justiça, na última sexta-feira (8), o médico Paulo Barição e a atendente Verônica Maria da Conceição sob acusação de terem causado lesões corporais de natureza grave em 20 pessoas em um mutirão de catarata no município.

De acordo com a denúncia, da promotora Simone de Divitiis Perez, no dia 30 de janeiro de 2016 20 pacientes foram atendidos em um mutirão para operação de catarata depois de terem passado por consultas médicas e triagem prévia. Eles eram recepcionados no Hospital das Clínicas da cidade e encaminhados à sala de cirurgia.

Na sala, a atendente Verônica Maria, que já havia esterilizado todo o campo cirúrgico, teria pingado os colírios para dilatação da pupila e preparado os pacientes para a cirurgia. "E assim, na sequência foram realizadas primeiramente as cirurgias de 20 pacientes, sem que, no intervalo entre uma e outra, fosse efetuada qualquer esterilização de instrumentos, troca de avental, troca de campo cirúrgico e lençóis, ou qualquer outra assepsia", relata a denúncia.

Após as primeiras cirurgias, foi feito um intervalo para almoço. Ao retornar, teria sido feita somente a troca dos campos estéreis das mesas cirúrgicas e dos lençóis e uma troca de avental do médico. Porém, não foi feita a esterilização dos instrumentos para as sete cirurgias restantes, segundo o MP-SP.

"Terminada a cirurgia, as vítimas permaneciam na sala por cerca de mais 20 minutos e, não havendo nenhum sinal de intercorrência, eram dispensados, sendo que dali saiam sem qualquer proteção nos olhos", aponta trecho da denúncia.

Fortes dores

Nos dias após as cirurgias, os pacientes começaram a reclamar de fortes dores nos olhos e foram até o pronto-socorro. Eles foram atendidos pelo médico Paulo Barição, o mesmo que fez as cirurgias, e foi receitado aumento na dose do colírio. Dias depois, ao constatar-se a gravidade da situação, o médico teria começado a buscar ajuda de outros profissionais e teria contatado as vítimas para que fossem até o hospital.

Segundo o MP-SP, Paulo Barição e Verônica Maria foram denunciados com base nos artigos 129, Parágrafo 1º, Inciso III (debilidade permanente de sentido), por 12 vezes, e no mesmo artigo (perda de sentido) no Inciso IV (deformidade permanente) por oito vezes, combinados com o Artigo 61 (circunstâncias agravantes e por concorrerem para o crime) e pelo Artigo 71 (crime continuado).

O advogado do médico Paulo Barição não atendeu às ligações da reportagem. A Agência Brasil não encontrou representantes da atendente Verônica Maria da Conceição.

Retirada do globo ocular

Das 27 pessoas que fizeram a cirurgia no dia 30 de janeiro, 21 tiveram infecção ocular, informou a prefeitura da cidade na ocasião. Devido à gravidade da bactéria, alguns tiveram até que retirar o globo ocular.

Segundo a prefeitura, na época, exames laboratoriais feitos no Hospital São Paulo indicaram contaminação pela bactéria pseudomonas sensível.


 

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