Crise, acusação de violência doméstica... O que derrotou PMDB no Rio?

Flavia Villela

Da Agência Brasil, no Rio

  • Constança Rezende/ Estadão Conteúdo

    Pedro Paulo votou acompanhado do prefeito Eduardo Paes e familiares no domingo

    Pedro Paulo votou acompanhado do prefeito Eduardo Paes e familiares no domingo

As acusações de violência doméstica contra o candidato do PMDB à prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo, e a crise econômica do governo do Estado foram decisivas para derrota do partido na capital fluminense, após dois mandatos consecutivos de Eduardo Paes, segundo avaliações de cientistas políticos.

De acordo com os analistas, a máquina pública da prefeitura, a capilaridade do PMDB na cidade, os cerca de 25% de aprovação de Paes e o maior tempo de propaganda na televisão não foram suficientes para garantir ao PMDB um lugar no segundo turno, que será definido entre Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL).

A cientista política e professora da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) Luciana Veiga disse que a escolha do candidato do PMDB não foi acertada e que o desgaste político do partido por causa da crise econômica do governo estadual, também administrado pela legenda, contribuiu para o fracasso nas urnas no domingo (2). "A crise do Estado perpassa a vida do carioca de maneira geral e afeta a qualidade de vida na cidade. Isso acaba repercutindo no humor do eleitor em relação à política e afetando a prefeitura", analisou.

A cientista política destacou que Pedro Paulo, que ficou em terceiro lugar, com 16,1% dos votos válidos, foi o candidato que mais cresceu ao longo da campanha, graças a sua maior exposição na TV. "Quando começou o horário eleitoral, Pedro Paulo tinha 5% da intenção de votos e cresceu 11 pontos. O Freixo [Marcelo] cresceu sete pontos. Mas a questão da agressão foi um impeditivo para que ele crescesse. Muitos dos eleitores do [Carlos] Osório ou do Índio [da Costa] não estavam fechados para o PMDB, mas sim para o candidato Pedro Paulo", comparou.

Pedro Paulo teve três minutos e meio de propaganda gratuita na TV. Crivella e Freixo, que chegaram ao segundo turno, tiveram um minuto e 11 segundos e 11 segundos, respectivamente.

Thiago Ribeiro/FramePhoto/Agência O Globo/Reprodução/TV Globo
Marcelo Crivella (esq.) e Marcelo Freixo disputam o segundo turno da eleição

Rejeição

Para o cientista político Ricardo Ismael, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), o caso de suposta agressão envolvendo a ex-mulher de Pedro Paulo tornou-se um fantasma durante toda a campanha.

"A taxa de rejeição dele era muito alta e estava diretamente associada à questão da ex-mulher. Mesmo que ele fosse para o segundo turno, seria muito difícil ganhar. Outro aspecto foi a falta de articulação do PMDB com outros partidos do mesmo campo ideológico. Essa fragmentação acabou favorecendo o candidato Freixo," comentou.

"O problema do PMDB no estado também teve repercussão negativa na campanha e outro problema foi o fato de a campanha do Pedro Paulo se descolar do prefeito Eduardo Paes, que tinha uns 25% de avaliação de ótima e boa, o que seria suficiente para levar o candidato ao segundo turno."

Pelo Facebook, o prefeito Eduardo Paes comentou hoje (3) o resultado das eleições e reafirmou sua  convicção de que Pedro Paulo era o candidato "mais preparado para dar continuidade ao ciclo de avanços e transformações que a cidade viveu nos últimos oito anos".

"Quero reafirmar meu compromisso de continuar trabalhando muito ao longo dos próximos três meses, até o dia 31 de dezembro, para seguir transformando a vida dos moradores da cidade, em especial daqueles que mais precisam, e entregar um Rio cada vez melhor ao meu sucessor", escreveu o prefeito na rede social.

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