Moradores de Diadema protestam contra cobrança de taxa em ônibus intermunicipal

Fernanda Cruz e Bruno Bochinni - Repórter da Agência Brasil

Nesta quinta-feira (5), usuários do terminal de ônibus de Diadema (SP) protestaram contra o aumento das tarifa intermunicipais, anunciadas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). A manifestação, que ocupou o terminal de ônibus da cidade, teve início no fim da manhã e seguiu até por volta de 16h.

Em Diadema, a passagem será reajustada, a partir de domingo (8), de R$ 4 para R$ 4,30. Além disso, passará a ser cobrada a taxa de integração no Terminal Intermunicipal, no valor de R$ 1, que antes era gratuita. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o terminal é administrado pela EMTU.

Os passageiros criticaram o aumento e ressaltaram que o momento econômico do país não permite a elevação dos preços de um serviço essencial. "Na época de crise, com tanta gente desempregada, e agora R$ 1 de aumento para você acessar o terminal é um roubo", disse o passageiro Marcos Paulo, de 39 anos, técnico de manutenção.

"Fica mais caro para procurar emprego, mais caro para trabalhar. A empresa já começa a questionar se compensa contratar ou não por conta da distância, porque fica caro o transporte", acrescentou.

O prefeito Lauro Michels (PV) participou do ato e reclamou não ter sido comunicado sobre o reajuste. Ele disse que soube das cobranças apenas na noite de ontem.  Segundo o prefeito, a baldeação gratuita em Diadema e no bairro do Capão Redondo, zona sul da capital paulista, beneficiava a população com menor renda.

Durante o protesto, o terminal de ônibus no centro do município ficou bloqueado e as quatro linhas que passam pelo local desembarcaram e embarcaram os passageiros pelo lado de fora. O prefeito usou o próprio carro para fechar a entrada dos ônibus para pressionar por uma reunião com representantes do governo estadual.

A agente de administração Tainara Lima, de 17 anos, usa diariamente o terminal e os ônibus municipais e os intermunicipais. "Eu acho que o aumento vai ter impacto não só para mim, mas para a população. Eu faço a baldeação sempre para ir para São Paulo. Então acho um absurdo quererem cobrar R$ 1 para fazer a baldeação", disse.

A estudante Caroline Rufino, de 18 anos, classificou como "injustiça" a alteração nos preços e disse que participará das próximas manifestações. "Injustiça porque já está essa crise. Tem gente que nem está trabalhando, as pessoas vão procurar emprego, como elas vão conseguir ir atrás de emprego se elas não vão ter o dinheiro para pagar o transporte?", questionou.

Até o fim da tarde desta quinta-feira, a EMTU não havia se manifestado sobre o protesto. Às 16h, a manifestação já havia sido encerrada e o trânsito dos coletivos no terminal estava liberado. No entanto, a saída dos ônibus ocorria com intervalo de tempo maior. Apesar disso, não havia filas para o embarque.

Aumento de tarifas

O aumento de preços das tarifas afeta 945 linhas de ônibus intermunicipais nas regiões da Baixada Santista, Campinas, Sorocaba, Vale do Paraíba, Litoral Norte e Grande São Paulo. Na Região do ABC, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, terão tarifa reajustada a R$ 4,30.

Passam a ser cobradas, no valor de R$ 1, as integrações entre as linhas dos sistemas municipal e metropolitano nos Terminais São Mateus, Piraporinha e Diadema. O valor da integração entre Metrô e as 12 linhas metropolitanas que têm ponto final no Terminal Capão Redondo e as cinco linhas do Terminal Campo Limpo será de R$ 1,12.

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