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Após derrota no Obamacare, Trump tenta aprovar reforma tributária

Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil

27/03/2017 14h45

Depois da tentativa frustrada de aprovar uma lei de saúde para substituir o Obamacare, o presidente Donald Trump decidiu enviar esta semana ao Congresso um projeto de reforma tributária. Para votar uma proposta, a liderança repulicana e o próprio Trump terão de ter muita habilidade política, já que mudanças na lei tributária não são apreciadas desde 1986. Em uma reunião após o cancelamento da votação para extinguir o Obamacare, Trump adiantou que quer "começar a reforma tributária", com cortes em "grandes impostos". A medida divide opiniões tanto na base do partido Republicano como na do Democrata. Mas além da complexidade do tema, o governo enfrentaria também o calendário. As regras do Congresso definem que, para entrar em vigor para o próximo ano, a matéria teria de ser apreciada junho. O líder dos republicanos na Câmara dos Representantes (a Câmara dos Deputados), Paul Ryan, avaliou em uma conversa com jornalistas que o prazo é "muito apertado", mas mesmo assim disse que votar a reforma "não é uma tarefa impossível". Expectativas A imprensa norte-americana avaliou o risco de novos empecilhos causados pelos 30 deputados republicanos dissidentes, que impediram que o projeto para substituir o Obamacare avançasse. O grupo ultraconservador chamado Freedom House Caucus (em português, Convenção da Liberdade), no entanto, é favorável a mudanças tributárias e cortes de impostos. A medida também é aceita por parte dos parlamentares democratas. Com um tema não votado há 31 anos e defensores e opositores dentro das duas bancadas, o governo Trump terá de mostrar habilidade política para conseguir maioria, o que não aconteceu na votação de substituto do programa de saúde conhecido como Obamacare. Na quinta-feira passada (23), dia em que era esperada a votação da proposta, a liderença suspendeu a votação quando viu que não iria conseguir os 216 votos necessários para aprovar a matéria, mesmo tendo 237 representantes. No dia seguinte (24), Trump mandou um recado e disse que a votação deveria acontecer de qualquer maneira, mesmo que perdesse. Mas na última hora o próprio governo recuou e o líder republicano Paul Ryan cancelou a votação. O grupo de deputados republicanos não cedeu, mesmo após o ultimato de Trump.