Moradores da Cidade de Deus feridos em operação policial continuam internados

Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil

Os dois moradores da Cidade de Deus feridos a bala ontem (10) durante operação policial para o combate ao tráfico de drogas na comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro continuam internados no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a situação mais grave é da paciente  Elydia Roberta de Ramos, 82 anos, atingida no tórax. Ela está estável no CTI e ainda inspira cuidados, mas respira sem ajuda de aparelhos. O gari comunitário Sebastião Soares de Melo, de 64 anos, atingido no abdome, está estável e na enfermaria.

Outros três pacientes feridos à bala na Cidade de Deus, mas sem a identificação confirmada, também continuam internados, mas todos estáveis. Um foi atingido no abdome e no ombro, outro no tórax e o terceiro foi baleado na perna e passou por cirurgia. Uma quarta pessoa ferida foi atendida ontem e já recebeu alta. A SMS também confirmou que duas pessoas já chegaram em óbito ao hospital.

Segundo uma comunicadora comunitária da Cidade de Deus, que pediu para não ser identificada, a operação começou pouco depois das 4h, quando ocorria um baile no local, com a participação de pessoas armadas. Ela relata que foram ouvidos muitos tiros na comunidade, o sobrevoo do helicóptero destelhou algumas casas e moradores reclamam que tiveram a casa arrombada por policiais, mesmo sem mandado judicial.

A Polícia Militar (PM) informa que o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) iniciou a operação por volta das 4h30, com o objetivo de "prender a quadrilha que lidera o tráfico de drogas na comunidade." Segundo a PM, no local da incursão foi encontrada "forte resistência", o que comprovaria "que o ponto de incursão era realmente o local de esconderijo dos chefes do tráfico."

A PM não respondeu a reportagem sobre arrombamento de casas feitos sem autorização judicial, mas informou que o Batalhão de Ação com Cães (BAC) fez "grande vasculhamento na área" e que a Unidade de Engenharia, Transporte e Demolição (UEDT) do Bope retirou barricadas da comunidade. O BAC socorreu um homem ferido em confronto que portava um fuzil 5,56.

O saldo final da operação foram quatro pessoas presas e a apreensão de um fuzil MD 97 5,56 mm, duas pistolas, sendo uma Glock e uma Taurus 9 mm; 80 tabletes de 1,5 kg de maconha; 943 sacolés (saquinho plástico usado para fazer picolé artesanal com suco congelado, também conhecido como dindim, geladinho ou chup-chup) de erva seca; 211 sacolés de pó branco; e 70 sacolés de crack. Também foram derrubadas três casamatas, 12 ruas desobstruídas, 20 trilhos e cerca de 5 toneladas de entulho retirados.

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