Operação Lava Jato

MP pode pedir transferência de Cabral para Bangu, diz promotor

  • Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Preso preventivamente há um ano, Cabral acumula 15 denúncias

    Preso preventivamente há um ano, Cabral acumula 15 denúncias

O promotor Claudio Calo visitou nesta segunda-feira (4) a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, para verificar possíveis privilégios concedidos ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso na unidade. Entre os supostos benefícios concedidos ao ex-governador e outros presos da Operação Lava Jato estaria a instalação na cadeia de um sistema de home theater, composto de televisão de tela plana com 60 polegadas, DVD e caixas de som e a entrada ilegal de queijo, castanhas e camarões.

Calo avaliou que, caso sejam comprovadas as irregularidades, Cabral poderia ser transferido para outro presídio, como Bangu. "Se ficar comprovada o envolvimento dele [Cabral] nesses fatos, acho demasiado mandar para um presídio de segurança máxima, talvez um presídio em Bangu atinja [o objetivo], para evitar que ele tenha contato com o complexo de Benfica."

"Isto é considerado prática de crime dentro de unidade prisional e infração disciplinar. Cabe à Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) e à Vara de Execuções Penais adotar as medidas cabíveis. Podem alguns benefícios serem cancelados ou ele ser transferido para um presídio mais rigoroso, como o Complexo de Gericinó", disse o promotor.

O episódio do home theater veio a público em outubro e levou o MP a instaurar inquérito para apurar os fatos. O equipamento seria uma doação da Igreja Batista do Méier, segundo divulgou inicialmete a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). No entanto, a instituição esclareceu que não autorizou doação de aparelho eletrônico a qualquer complexo penitenciário.

Calo ressaltou, ao deixar a cadeia, que a versão inicial de que o equipamento teria sido doado por uma igreja já restou comprovada como falsa e que será investigado quem deixou entrar o home theater no presídio, podendo ser responsabilizados na esfera criminal, por falsidade ideológica, e na administrativa, por improbidade.

Procurada, a defesa do ex-governador não seu pronunciou até a publicação desta reportagem.

Divulgação/MPRJ
Entre os alimentos apreendidos pelo MP-RJ nas celas de Cabral, Rosinha Garotinho e Adriana Ancelmo, havia castanhas, goiabada, queijos finos e vários tipos de frios

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