Foliões ocupam as ruas da capital no bloco Calango Careta
Quem anda a pé em Brasília está acostumado a ver calangos de tom cinza a esverdeado tomando banhos de sol ou se escondendo em fendas das calçadas, escapulindo entre pedras ou escalando muros de casa e troncos de árvores.
De tão comuns aos andarilhos brasilienses, o pequeno réptil - o lagarto Tropidurus torquatus, de 15 a 20 centímetros -, é homenageado por um bloco de carnaval que desde 2015 está nas ruas da cidade, o Calango Careta.
Notícias relacionadas:
- Bloco das Divinas Tetas reúne multidão na Esplanada dos Ministérios.
- Bloco Esfarrapado anima as ruas do Bexiga nesta segunda de Carnaval.
A concentração, a partir das 10h ocorreu na quadra residencial 710 Sul. O convite para a folia foi feito de forma cifrada pelas redes sociais. "700 amores, 10 passos rumo ao Sul! E lá estaremos em uma área verde", descrevia o anúncio-charada da localização do ponto de partida, que muda a cada ano e é revelada apenas na manhã do cortejo.
Márcio Fuzuê vê o Calango já como um bloco tradicional que quer ser conhecido por fazer um carnaval de rua, com foliões que tocam instrumentos.
Antes de começar a folia, Fuzuê estimava reunir 5 mil pessoas no percurso entre a 710 Sul e o Eixão, o Eixo Rodoviário de Brasília, que hoje está fechado até às 18h para os carros. A proposta do bloco era ter um "livre alívio coletivo", segundo seu fundador
"Os espaços públicos são para serem ocupados pelas pessoas. O carnaval é época disso: ocupar, se divertir e sem caretice."
Com tema semelhante de fantasia, o músico e professor de História Ramon Ribeiro Barroncas, portava um passaporte grande e com o carimbo de APREENDIDO.
"O carnaval é ocupação de rua. O carnaval é sobre pessoas se divertindo. É um momento de a gente extravasar um pouco. É um momento que a gente merece. Carnaval tem que ser a festa de todo mundo. Tem que ser democrático."
Para Mercês Parente, de 72 anos, servidora pública aposentada que mora na capital desde 1961, os carnavais já foram mais excludentes no passado, quando ocorriam em clubes privados: "é muito melhor estar na rua. O clube é restrito para os sócios."
A oficial de chancelaria Vidya Alves Moreira, 46 anos, concorda com a ocupação das ruas pelos foliões: "adoro esse movimento construído nos últimos anos em Brasília", disse.
Morando em Nova York, onde trabalha no consulado brasileiro, ela está de férias na cidade. "Eu amo o carnaval de Brasília. Se eu puder, todo ano eu venho. Ainda é seguro, é tranquilo, tem muita criança, pessoas de todas as idades. Eu me divirto imensamente."
Veja imagens do bloco:
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.