Após respaldo do PT-RS para votar contra governo, Paim diz que fica no partido

Em Porto Alegre

  • Waldemir Barreto/Agência Senado

    O senador Paulo Paim (PT-RS)

    O senador Paulo Paim (PT-RS)

Porto Alegre - Após meses ameaçando sair do PT, o senador Paulo Paim (PT-RS) recuou e anunciou que permanecerá no partido. O discurso começou a mudar após uma reunião em Porto Alegre com a executiva estadual, na manhã desta segunda-feira, 11, quando lideranças petistas regionais apresentaram propostas de apoio ao senador. Uma delas garante respaldo do PT gaúcho para que Paim vote contra medidas do governo federal que o parlamentar considera inadequadas por restringirem o acesso a direitos trabalhistas. Ele tem sido um dos principais críticos da política econômica do governo Dilma Rousseff e, nos últimos tempos, estreitou laços com a Rede Sustentabilidade e o PSB.

"Ficou claro que a executiva do PT gaúcho faz as mesmas criticas que eu faço à política econômica, dizendo que ela não corresponde ao programa de governo eleito em 2014", disse o senador à reportagem. Participaram da reunião o presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, além de nomes como o ex-governador Olívio Dutra e o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont. Representantes de movimentos sociais também estavam presentes. Paim é filiado ao PT desde 1985. Ele exerceu quatro mandatos como deputado federal antes de ter sido eleito senador, em 2003.

Ao final do encontro, a executiva estadual do PT divulgou uma nota na qual "reafirma o compromisso com as causas defendidas pelo senador Paulo Paim em toda sua militância, em consonância com os movimentos sociais e sindicais". Na prática, isso significa que o PT-RS deverá ter uma posição mais firme contra a reforma da previdência e contra a retirada de qualquer direito dos trabalhadores, além de defender a taxação das grandes fortunas. "Estamos sintonizados com as pautas que ele (Paim) tem debatido no Congresso, inclusive questionando o governo", confirmou Vanazzi ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O dirigente admitiu que Paim e o PT gaúcho andaram "um pouco distanciados" e explicou que um dos objetivos é estreitar esta relação. Ao fazer isso, Vanazzi sinaliza que o senador não terá resistência interna para disputar a reeleição ao Senado. O parlamentar nega que o pleito de 2018 estivesse na sua pauta de reivindicações. "O partido fez questão de reforçar que eu sou o candidato natural, quis fazer este esclarecimento para tirar a ideia que estavam levantando de que havia uma disputa interna e que eu tinha problemas com o diretório", disse Paim.

A conversa com a executiva estadual durou cerca de três horas e foi determinante para Paim bater o martelo. O tom adotado pelo senador deixou de ser de ruptura e passou a ser conciliador. Ele chegou a dizer que, se antes a chance de sair do partido era de 9 em 10, depois ela tinha diminuído. Também falou que os líderes fizeram um apelo pela sua permanência em meio a uma conjuntura "tão complicada como essa".

À tarde, Paim se reuniu com apoiadores em seu reduto eleitoral, na cidade de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, para debater as propostas apresentadas mais cedo pela executiva estadual. Só oficializou a decisão de permanecer no partido por volta das 18h. Segundo ele, a posição é definitiva. "Os compromissos assumidos hoje fazem com que esse debate pare. Falarei com todos os partidos com os quais conversei nos últimos meses", disse. Ele mesmo já admitia que o debate em torno de seu futuro político já tinha virado uma "novela".

Paim frisou que o fato de ser contrário a determinadas propostas de ajuste fiscal não significa que ele se oponha ao mandato da presidente Dilma Rousseff. Ele reafirmou a disposição de trabalhar contra o processo de impeachment que está em discussão no Congresso. "Agora eu tenho respaldo para lutar tanto contra a política econômica do governo como a favor da democracia", falou.

Já Vanazzi negou que o fato de respaldar Paim nas críticas ao governo federal possa causar constrangimento com a executiva nacional. "A presidente Dilma não governa para o PT, governa com um grupo de partidos aliados que tem discordância com nossas posições. Cabe ao governo costurar, negociar. Nós vamos defender os direitos dos trabalhadores", avaliou.

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