PM oferece 'uniforme' à imprensa; ato na Paulista teve 9 jornalistas feridos

De São Paulo

A Polícia Militar, de forma "voluntária e cortês", ofereceu o empréstimo de uniforme para identificar repórteres e fotógrafos na cobertura das manifestações contra o aumento da tarifa. Em nota divulgada após o ato na avenida Paulista na terça-feira (12), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que imagens registradas por câmeras de celulares e equipes de TV mostram que, mesmo identificados, os profissionais da imprensa foram alvo de golpes de cassetete, empurrões e bombas. Segundo a Abraji, nove jornalistas foram agredidos pela PM.

Para a associação, as "agressões de policiais contra profissionais da imprensa durante o exercício de suas atividades é prática característica de contextos autoritários". A Abraji cobrou que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) apure "abusos registrados" e pediu a punição dos responsáveis.

No texto enviado a jornalistas, a PM diz que o "jaleco" é uma forma de contribuir e auxiliar a cobertura das manifestações "em que possa existir o risco potencial à integridade física". Segundo a nota, o uniforme possibilitaria, principalmente por parte da polícia, a identificação imediata como membro de um órgão de imprensa.

"Sua utilização, no entanto, não exime o usuário de adotar condutas e procedimentos de segurança que visem a resguardar sua integridade física durante a cobertura do evento nos momentos que haja a configuração de total quebra da ordem pública, onde possa haver a necessidade de atuação enérgica das forças de segurança para a contenção e ou dissuasão de manifestantes baderneiros e de comportamento agressivo", informou a PM.

De acordo com contagem do jornal "O Estado de S. Paulo", os policiais explodiram uma bomba a cada sete segundos na Paulista, para dispersar os manifestantes. O Movimento Passe Livre (MPL) convocou dois protestos simultâneos nesta quinta-feira (14), às 17 horas, no Largo da Batata e no Teatro Municipal.

Veja a lista dos nove jornalistas que, conforme a Abraji, foram agredidos durante ação policial: Fernanda Azevedo, da "TV Gazeta"; "Pedro Belo", da equipe de vídeo da "Veja São Paulo"; Márcio Neves, videorrepórter do "UOL"; Alice Vergueiro, fotógrafa da "Folhapress"; Francisco Toledo, fotógrafo da agência "Democratize"; Camila Salmazio, repórter da "Rede Brasil Atual"; Felipe Larozza, fotógrafo da "Vice"; Raul Dória, fotógrafo freelancer; Alex Falcão, fotógrafo da "Futurapress"; e Caio Cestari, fotógrafo autônomo.

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