Antigo Hospital Matarazzo começa sua transformação

Em São Paulo

O complexo onde funcionou de 1904 a 1993 o Hospital Umberto Primo - ou Hospital Matarazzo -, na Bela Vista, região central de São Paulo, já tem data anunciada para voltar a funcionar: 2018. Não mais como centro de saúde, mas como um local que reunirá hotel de luxo, residências, conjunto comercial, restaurantes e espaços de criação e exposição artística.

Na tarde de quinta-feira, 7, o premiado arquiteto francês Jean Nouvel participou do lançamento da pedra inaugural de uma das torres do complexo. Batizada de Rosewood, será um "edifício-paisagem" com 151 quartos de hóspedes e 122 suítes residenciais, dois restaurantes, um bar e um lounge.

A primeira obra assinada por Nouvel - ganhador do prêmio Pritzker em 2008 - no País deve complementar o conjunto de construções históricas remanescentes do projeto original. "Aqui haverá um choque das culturas de uma arquitetura inicial, feita no século 20, que é ponto de partida para outra, esta arquitetura do século 21", diz o francês. "Patrimônio histórico deve ser preservado e respeitado. A partir dele, a cidade pode progredir."

Rosewood será uma construção nova em meio ao conjunto remanescente do hospital, erguido sob o comando do magnata italiano Francesco Matarazzo (1854-1937), sob o slogan "a saúde dos ricos para os pobres".

Com cerca de 200 projetos executados ao longo da carreira, Nouvel tem no currículo obras emblemáticas como o Instituto do Mundo Árabe, de Paris, a filial do Museu do Louvre em Abu Dabi e as galerias Lafayette de Berlim.

Ontem, ele estava acompanhado pelo empresário Alexandre Allard, presidente do grupo que, em 2011, adquiriu o terreno de 27 mil metros quadrados com a promessa de revitalizar o local.

Investimento

A empresa pretende investir R$ 1 bilhão no empreendimento, a maior obra privada de recuperação de um patrimônio histórico em andamento na cidade - o antigo hospital é tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp, respectivamente os órgãos estadual e municipal de proteção ao patrimônio.

 

"Trata-se de uma arquitetura fascista (o conjunto remanescente), que ao mesmo tempo sintetiza a crença que Francesco Matarazzo tinha no País. Então, tem toda essa energia, essa beleza", resume Allard. "A gente confronta, mas não destrói. A ideia é prolongar o que existia."

A primeira construção a ser inaugurada, em 2018, será a torre de Nouvel. O restante do complexo deve ser aberto gradualmente até 2020.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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