Corrente articula Lula no comando do PT

Em São Paulo

  • Luiz Carlos Murauskas - 30.set.15/Folhapress

    Corrente do atual presidente do PT, Rui Falcão, defende Lula como comandante da sigla

    Corrente do atual presidente do PT, Rui Falcão, defende Lula como comandante da sigla

Integrantes da corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), articulam a condução do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao comando do partido. Reunida em São Paulo na terça-feira (24), a Executiva Nacional da legenda decidiu adiar de dezembro deste ano para março de 2017 o Encontro Nacional Extraordinário, no qual deve ser discutida a abreviação do mandato da atual direção da sigla.

A manobra, encabeçada pela CNB, abre caminho para a chamada "solução Lula" na presidência do partido, hoje comandado por Rui Falcão. A ideia é ganhar tempo para viabilizar a proposta, barrar o avanço das correntes de esquerda que se uniram no movimento Muda PT - que inclui ainda parte expressiva da bancada no Congresso Nacional - e evitar um racha na legenda.

Segundo dirigentes petistas, Lula está ciente da articulação, mas ainda não disse se aceitaria a indicação. Não é a primeira vez que o nome do líder máximo do PT surge como alternativa para presidir a sigla. Nas outras vezes, ele havia recusado.

Agora, avaliam petistas, a situação é diferente. Acossado pela Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras, Lula poderia exercer a direção partidária independentemente de decisões da Justiça e teria também uma agenda sólida de repactuação do PT e estrutura material para viajar pelo País se preparando para uma possível candidatura à Presidência da República em 2018.

A reunião de terça-feira foi marcada por cobranças. Falcão pediu explicações ao secretário de Formação, Carlos Árabe, da Mensagem, sobre questionamentos feitos na imprensa, e líderes da CNB insinuaram que o objetivo real das críticas da esquerda é preparar o desembarque do partido.

A Mensagem negou e disse que o objetivo da corrente é ganhar o controle do partido. Na terça-feira, 24, o Muda PT distribuiu um texto, depois da reunião, defendendo a manutenção da data do encontro. Líderes da esquerda petista admitem que a "solução Lula" os deixaria na defensiva.

Dilma

A Executiva Nacional do PT negou ainda apoio à proposta da presidente afastada Dilma Rousseff de um plebiscito para realização de novas eleições presidenciais. Dilma fez a sugestão na Carta aos Senadores lançada na semana passada. A Mensagem apresentou uma emenda que reproduzia o texto de Dilma, mas obteve apenas dois votos entre 15 integrantes da Executiva que participaram da reunião.

Indagado sobre a divergência entre partido e a presidente afastada sobre o tema, Falcão desconversou. "A questão está posta por ela. Ela se dispõe, voltando à Presidência, a propor a convocação de um plebiscito. Cabe ao Senado, por maioria simples, convocar um plebiscito", disse ele, que já se manifestou contra a proposta de Dilma. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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