Gilmar Mendes: 'Também elogio a Lava Jato, mas estou autorizado a fazer críticas'

Rio - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, voltou a dizer que é favorável à Lava Jato, mas afirmou que, devido a experiência de tantos anos, está "autorizado a fazer críticas". No começo da semana, o ministro atacou a atuação de procuradores da operação e vazamentos de informações.

A declaração foi feita após ser questionado se o elogio à Lava Jato feito hoje pelo ministro Luís Roberto Barroso, também do STF, seria um contraponto às suas críticas. "Não me ocupo disso, eu também elogio a Lava Jato, mas estou autorizado devido a minha experiência de tantos anos a fazer criticas", disse em evento na Fundação Getulio Vargas, no Rio.

Apesar disso, ponderou que a operação é importante, assim como outras que estão sendo realizadas. "A Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça têm a sua contribuição decisiva, mas isso não lhes da (aval) para cometer abusos", afirmou.

Ele acrescentou que jamais foi crítico da Lava Jato. "Acho que essa operação foi extremamente importante porque revelou todo esse quadro de corrupção. No fundo acabamos por desenvolver um sistema em que o roubo era a prática corriqueira. Isso é altamente constrangedor".

Na visão do ministro, o País deve essa informação à profundidade das investigações realizadas na Lava Jato. "Mas temos tido vários episódios de vazamento que comprometem as próprias investigações e compromete também a honra das pessoas. Então devemos ter cuidado com isso".

O ministro afirmou ainda que promotores, juízes e delegados não estão acima da lei e que o combate ao crime não se faz cometendo crime.

"É importante que todas autoridades saibam que estão submetidas a limites, que é a lei. Nós do supremo estamos submetidos à lei. A presidente da República está sendo submetida a um impeachment com imputação de crime de responsabilidade. Portanto, o que marca o estado de direito é que nele não há soberanos", acrescentou.

Ainda sobre o impeachment, disse que é um momento muito delicado. "É (um momento) triste da nossa vida institucional, da nossa república. Isso se traduz nos embates que estão ocorrendo no plenário, mas temos que viver com isso e vida segue".

O ministro também defendeu uma atualização da legislação trabalhista. "Hoje nós não temos só o desafio de proteger o empregado ou o chamado ex-empregado. Nós temos que garantir o sistema de empregabilidade, esse é o grande desafio".

Ele acrescentou que o Brasil passa por uma situação vexatória, com cerca de 12 milhões de desempregados. "Imagine quanta dor, quanto sacrifício existem nos lares brasileiros. Este é um grande desafio. Quando nos tivermos decidindo, temos que ter os olhos nestas duas perspectivas".

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