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Em depoimento a Moro, ex-tesoureiro do PT admite uso de caixa 2

Corrupção acaba após impeachment? Senadores respondem

UOL Notícias

Em São Paulo

2016-12-15T09:13:00

2016-12-15T16:40:02

15/12/2016 09h13Atualizada em 15/12/2016 16h40

O ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira confessou na quarta-feira (14), ao juiz federal Sérgio Moro, que o PT --assim como os demais partidos políticos-- trabalha com recursos não contabilizados. Réu da Operação Lava Jato e preso desde 23 de junho, Ferreira foi interrogado em Curitiba. Ele disse que "negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros de todos os partidos é negar o óbvio".

Ferreira foi preso na Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato. Além do ex-tesoureiro, 13 investigados são réus. O petista é acusado de ter recebido propinas nas obras do Cenpes (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras), no Rio.

Durante o interrogatório, o juiz perguntou ao ex-tesoureiro: "O Partido dos Trabalhadores comumente tem feito declarações públicas de que não trabalha com recursos não contabilizados. Salvo engano, na minha compreensão, o senhor está afirmando algo diferente, que havia esses pagamentos, inclusive aqui na sua própria campanha. O senhor saberia explicar essa contradição?"

Paulo Ferreira respondeu: "É um problema da cultura política nacional, doutor Moro. Eu não estou aqui para mentir para ninguém. Estou aqui para ajustar alguma dívida que eu tenha, minha disposição aqui é essa".

Em seguida, declarou: "Negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros de todos os partidos é, na minha opinião, negar o óbvio". Moro, então, perguntou: "Inclusive no Partido dos Trabalhadores, na sua campanha?" "Exatamente", admitiu Ferreira.

Procurado, o PT não se pronunciou.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".