Doria volta a atacar Amazon e recebe livros de concorrentes

Bruno Ribeiro

O prefeito João Doria (PSDB) convocou quatro secretários municipais, funcionários e jornalistas para anunciar o recebimento de 219 mil livros, 100 computadores e 100 tablets doados nesta terça-feira, 29, por empresas concorrentes da norte-americana Amazon, que está lançando no Brasil seu dispositivo de leitura de livros digitais, o Kindle.

É mais uma reação do prefeito à campanha publicitária da empresa norte-americana. Doria passou a dirigir ataques à empresa, a quem chama de oportunista, porque a Amazon fez uma propaganda em que trechos de livros eram projetados em muros cinzas da cidade -- locais das Avenidas 23 de Maio e 9 de Julho que tinham grafites apagados pelo prefeito. "Cobriram a cidade de cinza? A gente cobriu o cinza de histórias", diz a propaganda.

Antes de convocar os oito apoiadores, Doria fez um pronunciamento de pouco mais de três minutos e, nesse tempo, chamou a ação da Amazon de "oportunista" por seis vezes. Ele defendeu também que o vídeo da empresa seja retirado do ar.

"Queria registrar aqui para vocês, na condição de prefeito da cidade de São Paulo, o nosso dissabor com a atitude de uma empresa norte-americana, a Amazon, que, de maneira deliberada, aproveitadora e oportunista, lançou uma campanha pela internet chamando nossa cidade de cinza, as ruas de cinza e fazendo uma indireta em relação ao prefeito e à Prefeitura da cidade de São Paulo. E utilizando esse artifício para vender livros, aplicativos de tecnologia que eles embarcam e vendem aqui no Brasil. Uma atitude oportunista que eu refuto na condição de prefeito de São Paulo. Uma atitude equivocada, errada e, volto a repetir, oportunista", disse Doria.

"Imediatamente gravei um vídeo, coloquei nas nossas redes, a nossa rede é influenciadora e tivemos um impacto... A empresa não teve o discernimento de retirar do ar, deveria ter retirado diante da situação, o correto era retirar, reposicionar e tirar o caráter oportunista daquilo que fez. Eu lancei o desafio à empresa: já que querem ajudar, ajudem as crianças, as creches, as pessoas que vão nas bibliotecas municipais, ajudem as casas de cultura da periferia da cidade de São Paulo. Contribuam, efetivamente, Não façam uma coisa oportunista, fazendo um marketing, oportunismo, sem a execução concreta daquilo que você propõe", continuou.

O prefeito disse expressado sua indignação diretamente ao presidente da empresa no Brasil, Alex Szapiro. "Transmiti isso ao presidente da empresa, liguei, telefonei, Alex Szapiro, disse do meu dissabor, disse que isso foi uma atitude condenável, reafirmo aqui na frente dos jornalistas e demais empresários que aqui estão. Não vai bem a Amazon utilizando esse tipo de subterfúgio para ganhar posição e querer ganhar mercado. Muito me estranha uma empresa americana com esse porte, essa dimensão, fazer um marketing oportunista, com viés ideológico, para vender os seus produtos. E sempre que isso ocorrer, o prefeito vai se posicionar sim", completou Doria.

A Amazon enviou uma nota sobre o assunto: "A Amazon Brasil mantém seu compromisso com o desenvolvimento da leitura, incentivo à literatura e promoção de diversidade de ideias. Por exemplo, autores brasileiros agora podem ter suas obras lidas por milhões de leitores, gratuitamente por meio da autopublicação", diz o texto.

"Estamos doando centenas de dispositivos Kindle para instituições que promovem cultura e educação. A Amazon.com.br também se uniu a algumas das maiores editoras brasileiras para oferecer gratuitamente um eBook, dentre uma seleção de mais de 30 títulos, incluindo best-sellers e livros clássicos. Nós nos mantemos muito comprometidos com esses valores e em atender bem nossos clientes. #AmazonAmaLeitores", sem mais comentários.

Contrapartidas. Ao convidar os empresários doadores de livros para se apresentarem e detalharem suas doações, Doria ouviu pedido de "ajuda" de ao menos um deles, Pierri Mantovani, organizador de uma feira de cultura geek que receberá livros como parte do ingresso.

Mantovani disse que não queria dinheiro da Prefeitura, mas que precisava do apoio da gestão Doria para transformar seu evento em um dos maiores do mundo. "Quando você faz um evento como o nosso, que movimenta 200 mil pessoas, você causa teoricamente um caos na cidade porque inunda um espaço muito pequeno", disse. "Para a gente melhorar toda a logística para as pessoas chegarem no evento, para que seja uma grande atração na cidade e para que promova a cidade no turismo brasileiro e internacional, é impossível fazer isso sem apoio público. Não é dinheiro. É apoio", disse, para depois citar "transporte" como um dos apoios esperados.

O prefeito disse que não daria "um centavo" para o evento, mas disse que a Prefeitura poderia ajudar.

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