Para Palácio do Planalto, PM do DF "não conseguiu conter protestos"

Tânia Monteiro

Brasília

  • André Borges/Agif/Estadão Conteúdo

    24.mai.2017 - Confronto entre policiais e manifestantes durante ato convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e outros sindicatos de várias partes do Brasil, nesta quarta-feira, 24, em Brasília. Os policiais usaram bombas de gás para dispersar os manifestantes

    24.mai.2017 - Confronto entre policiais e manifestantes durante ato convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e outros sindicatos de várias partes do Brasil, nesta quarta-feira, 24, em Brasília. Os policiais usaram bombas de gás para dispersar os manifestantes

De acordo com o Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer decidiu decretar o emprego das Forças Armadas para conter o que considerou "barbárie" e "ação criminosa" de manifestantes ao atearem fogo no Ministério da Agricultura com os funcionários tralhando no prédio.

Segundo relatos de assessores do presidente, muitos servidores ligaram para os gabinetes do Palácio do Planalto, "desesperados", relatando a situação. Em reunião de emergência em seu gabinete, Temer, que já havia ouvido as preocupações do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu que as tropas federais deveriam ser imediatamente empregadas para "garantir a segurança das pessoas que estavam ameaçadas" e do "patrimônio público que estava sendo destruído pelos manifestantes". Na avaliação do Planalto, "a Polícia Militar do Distrito Federal não conseguiu conter os protestos". A atuação do governo do Distrito Federal foi muito criticada pelo governo federal.

A decisão de Temer foi tomada após ele ouvir a opinião de pelo menos cinco ministros. "Foi uma decisão muito difícil", afirmou um dos assessores consultados por Temer. O ponto crucial foi a notícia de que os manifestantes colocaram fogo em prédios com pessoas dentro, segundo assessores.

Gravidade

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou à reportagem que Temer decidiu pelo emprego das Forças Armadas "diante da gravidade da situação e porque a Força Nacional não tem homens suficiente para proteger tantos prédios de imediato e a vida das pessoas".

O uso das tropas foi autorizado por meio de decreto presidencial, entre os dias 24 e 31 de maio, para a Garantia da Lei e da Ordem. Jungmann lembrou que esse mesmo instrumento foi usado nas Olimpíadas, Copa do Mundo, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco. O ministro ressaltou ainda que a Polícia Militar do DF não conteve a confusão. "As pessoas estavam encurraladas e com ameaça às suas vidas", declarou.

A operação prevê que as tropas federais fiquem nas ruas protegendo os prédios da Esplanada dos Ministérios. Inicialmente, 600 homens do Exército foram enviados à Esplanada. Outros 800 estavam de prontidão para serem chamados. O pedido inicial de Maia, de reforço à segurança por meio da Força Nacional, era inviável, segundo o Planalto, porque não existem homens suficientes disponíveis. Desde às 14h30, quando a situação começou a ficar crítica, o governo orientou os ministérios a serem esvaziados.

Jungmann, no pronunciamento no qual comunicou o uso das Forças Armadas, chegou a dizer que Temer decidiu pela medida atendendo a pedido do presidente da Câmara. "Sem ordem não há democracia", afirmou o ministro, salientando que "é inadmissível que isso aconteça na capital federal".

"A Polícia Militar não conseguiu conter os protestos e a destruição", disse à reportagem o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen. "No Ministério da Agricultura as pessoas estavam aterrorizadas, se sentindo ameaçadas", emendou o general, ao esclarecer que as tropas federais vão guarnecer os prédios públicos e, do lado de fora, a Polícia Militar do DF vai trabalhar na segurança pública. Avisou ainda que o governo quer identificar os presos para tomar medidas legais contra eles. Para Etchegoyen, "é inaceitável colocar fogo em um prédio com pessoas dentro". "Foram atos de delinquentes", prosseguiu o ministro do GSI.

A reportagem não conseguiu contato com a Polícia Militar do Distrito Federal.

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