Crack ameaça quase nove em cada dez cidades de São Paulo, aponta mapeamento

José Maria Tomazela

Em Sorocaba (SP)

  • Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo

    Próximo ao Centro Administrativo em Sorocaba, cerca de 20 pessoas, dentro de um galpão abandonado, consomem crack

    Próximo ao Centro Administrativo em Sorocaba, cerca de 20 pessoas, dentro de um galpão abandonado, consomem crack

O crack não para de avançar por São Paulo. Dos 645 municípios do Estado, pelo menos 558 (86,5%), incluindo a capital, enfrentam problemas relacionados à droga, conforme mapeamento do Observatório do Crack, da CNM (Confederação Nacional de Municípios).

Em 193 cidades do interior, o nível desses problemas é muito alto, segundo o ranking, atualizado em tempo real com informações de prefeituras. Em outras 259, o alerta é médio; e, em 105, baixo. Apenas 20 cidades disseram não ter problemas com o crack. Outras 67 prefeituras não responderam oficialmente o levantamento.

De 608 municípios paulistas ouvidos este mês (incluindo dados parciais), 92% afirmaram enfrentar problemas com a circulação de drogas, enquanto 95% confirmaram problemas com o consumo delas.

As prefeituras informaram ainda que as principais áreas afetadas são:

  1. Saúde: 67,1% 
  2. Assistência Social: 57,5% 
  3. Segurança: 49,1%

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O Observatório do Crack inclui grandes cidades do interior na "lista vermelha" da droga, entre elas Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru e Marília.

O avanço das drogas pelo interior, mostrado pelo Estado em reportagem especial em 2014, não teve melhora com o passar do tempo, segundo Ernesto Stranz, consultor da CNM. E a droga continua avançando em municípios menores e rurais, como Campos Novos Paulista, Planalto e Colômbia, com menos de 7 mil moradores.

Segundo ele, o fato de a maioria dos municípios responder espontaneamente ao questionário indica a gravidade do problema. "São prefeituras que têm a coragem de se expor porque é algo que afeta muito a população. É como um grito de socorro", disse.

Apesar disso, praticamente nada mudou na política de governo. "Não houve investimento e o recurso que estava previsto em alguns programas sofreu contingenciamento."

Número de usuários

Procurada, a Secretaria da Saúde do Estado informou ter ampliado em seis vezes o número de vagas para dependentes químicos, de 500 em 2011 para 3,3 mil atualmente, em serviços próprios ou conveniados.

Desse total, 2 mil vagas, ou 60%, estão no interior (integralmente custeadas pelo Estado). O encaminhamento é feito pelos municípios. A pasta destacou que a internação só é indicada para casos graves. O Estado ainda mantém o Sarad (Serviço de Atenção e Referência em Álcool e Drogas) em Botucatu, onde foram realizados 13 mil atendimentos desde 2014.

Das cerca de 2 mil internações na unidade:

  • 77% aconteceram de forma voluntária
  • 13%, de maneira involuntária
  • 10%, de forma compulsória

O Observatório trabalha agora em uma nova metodologia para estimar a população envolvida com o crack no Estado, já que não há dados precisos.

A Senad (Secretaria Nacional de Política sobre Drogas) estima o usuário regular em 0,5% da população, o equivalente a cerca de 164 mil pessoas no Estado, desconsiderando a capital.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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