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Ex-assessor de Palocci diz que 'não teve contato' com negociação de terreno

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

São Paulo

13/09/2017 20h54

O sociólogo Branislav Kontic, que trabalhou com o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil - Governos Lula e Dilma), afirmou nesta quarta-feira, 13, que "não teve contato" com a negociação do terreno que a Odebrecht destinaria para abrigar a sede do Instituto Lula. Brani prestou depoimento de cerca de 10 minutos ao juiz federal Sérgio Moro na ação penal em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

"Não tive contato com esse episódio, vi na ação que havia um e-mail dirigido a mim pelo sr. Marcelo Odebrecht, mas eu não fazia ideia do que se tratava, de que construção se tratava, e simplesmente transmiti o e-mail, possivelmente transmiti o e-mail ao então deputado Palocci", afirmou.

"Por que o sr diz possivelmente?", questionou Moro.

"Porque eu não recordo. Nem do e-mail, nem dessa circunstância", afirmou.

O ex-assessor de Palocci afirmou que o empresário Marcelo Odebrecht o procurava "com frequência" para entrar em contato com o ex-ministro.

O juiz da Lava Jato insistiu no tema do prédio e leu o e-mail para Brani. Para Moro, ficou a impressão de que o ex-assessor tinha conhecimento do assunto.

"Ou estou enganado?", perguntou o magistrado.

"O sr está enganado. Ele mandava várias mensagens. Aliás, não só ele", afirmou Brani.

"Eu recebia dezenas de mensagens semanais de várias pessoas, transmitindo recados, mandando notas técnicas querendo discutir questões legislativas. Era um volume de trabalho e de demanda sobre o trabalho parlamentar do Palocci muito grande. Eu não me detinha nos detalhes do que estava sendo falado e tampouco isso me foi revelado pelo Palocci ou pelo sr. Marcelo."

Brani é acusado de lavagem de dinheiro neste processo contra Lula - acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a empreiteira e a Petrobras.

Segundo o Ministério Público Federal os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal.

O montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.