Bruno Covas: eu e Doria governamos a cidade juntos

Adriana Ferraz

São Paulo

  • Lucas Lima/UOL

    O vice-prefeito eleito de São Paulo, Bruno Covas (13.out.2016)

    O vice-prefeito eleito de São Paulo, Bruno Covas (13.out.2016)

A foto do avô Mario Covas sorrindo na parede do gabinete que ocupa no sexto andar do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo, ilustra o momento vivido pelo neto Bruno Covas (PSDB), vice-prefeito da capital e responsável por uma das secretarias, a das Prefeituras Regionais. Aos 37 anos e com 18 quilos a menos na balança, o tucano poderá ser diretamente impactado com a definição desse conflito interno no partido entre o prefeito da capital, João Doria, e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, apontados como presidenciáveis do PSDB para 2018.

Se Doria renunciar ao cargo, é Bruno quem assume o comando da capital, função para qual "treina" diariamente, apesar de afirmar se manter neutro. "Doria e eu administramos a cidade a quatro mãos", disse em entrevista ao Estado. Abaixo, leia os principais trechos da entrevista ao Estado. Abaixo, os principais trechos.

Você já ficou à frente da Prefeitura por 31 dias. Está preparado para assumir a cidade?

Doria tem feito o que ele disse que faria na campanha, que nós iríamos governar juntos, que faríamos uma administração a quatro mãos. Ele não está fazendo nada diferente do que foi compromissado em 2016. Ele me convidou para ser vice e tem me dado essa oportunidade de governar com ele.

O prefeito diz que não vai reduzir as viagens. Isso te ajuda?

Não muda a minha rotina. É claro que, quando estou na função de prefeito, tenho de participar de mais eventos. Em junho, por exemplo, fui à Parada LGBT, à Marcha para Jesus. E também não muda a cobrança que ele faz via telefone ou WhatsApp.

Se Doria for escolhido, você assume a Prefeitura. Teme que a população não te aceite?

Não me preocupo com isso. Não dá para pensar quantas pessoas vão aprovar cada ação sua, seja do ponto de vista administrativo, seja político. E essa decisão não é minha. Não seria a minha renúncia.

Como você vê essa disputa entre Alckmin e Doria?

Vejo como uma disputa natural. São duas pessoas que hoje têm condição de representar um projeto para o País, de enfrentar uma candidatura dentro de um partido importante, como o PSDB. Mas só tem uma candidatura, por isso é natural que haja conflito.

Então, Doria é pré-candidato?

Os dois estão claramente disputando esse espaço. A partir de dezembro, com o novo presidente nacional do PSDB, vamos definir um cronograma para essa escolha.

Essa disputa tem prejudicado a relação institucional entre a Prefeitura e o governo do Estado?

Não vejo isso ou qualquer tipo de sabotagem neste sentido vindo deles. Até porque essa disputa sempre contamina mais o entorno, que tende a ser mais realista que o rei.

Defende prévias?

Prévias são sempre o fracasso do consenso. Quanto mais a gente conseguir ter um esforço em torno de um candidato que tenha mais chance de vitória, um marco de aliança maior, melhor. Agora, havendo qualquer tipo de processo de escolha por votação, que todo filiado possa votar. Não dá para restringir a uma Executiva Nacional, onde votam de 25 a 30 pessoas.

Seria leal ou desleal Doria disputar prévias com Alckmin?

Deslealdade seria você deixar de ajudar o Alckmin porque ele foi escolhido e vice-versa. Agora, candidatura majoritária não é só fruto da vontade individual, mas da vontade coletiva. Não é por acaso que a gente tem uma pré-candidatura do João Doria, porque as pessoas passaram a enxergar nele um projeto viável para o País. Não foi ele que acordou um dia e decidiu que começaria a disputar com o Alckmin.

Não partiu dele, então?

Não. Você começou a ver uma reportagem aqui, um discurso acolá. Isso criou um caldo que permitiu a ele se apresentar como pré-candidato.

As pesquisas de intenção de voto devem ser consideradas?

Bom, quem for votar nas prévias é que vai decidir isso. Cada cabeça uma sentença. Uns vão olhar para o passado, outros para o futuro.

O Alckmin é o passado e o Doria, o futuro?

Não disse isso. Olhar o passado de cada um dos dois.

A experiência de Alckmin, que já governou o Estado por 13 anos, pode fazer diferença?

Sim. Ele tem 13 anos só de governo, mas foi prefeito, deputado, vereador. Essa experiência o torna superpreparado, mas não quer dizer que Doria seja despreparado.

Eles estarão juntos no PSDB em 2018?

Acho que sim. Não vejo nem Doria nem Alckmin deixando o PSDB se não for escolhido candidato. Mas temos de escolher quem tem condição de ganhar eleição. Tem de entrar para ganhar.

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