Aloysio e chanceler colombiana discutem crise nas fronteiras com a Venezuela

Lu Aiko Otta

Brasília

Os governos de Brasil e Colômbia trocaram informações nesta quarta-feira, 21, sobre as formas de apoio que cada país tem dado aos migrantes venezuelanos, durante reunião dos ministros das áreas de Relações Exteriores e Defesa dos dois países. Segundo informou o chanceler Aloysio Nunes Ferreira, foi uma conversa com o intuito de "aprofundar uma cooperação que já existe."

A chanceler colombiana, Maria Angela Holguín, disse que veio ouvir e aprender o que tem feito o Brasil e compartilhar a experiência de seu país. A Colômbia é o destino da maior parte das pessoas que deixam a Venezuela em busca de alimento, assistência a saúde e trabalho.

Em declaração à imprensa, Aloysio disse que Brasil e Colômbia estão alinhados politicamente e fez votos que a Venezuela retome a via democrática por meio de solução encontrada pelo próprio povo, expressando sua vontade nas urnas.

Os ministros da Defesa de Brasil e Colômbia assinaram nesta quarta um memorando de entendimento na área de desminagem, que é outro tópico da relação entre os dois países. Segundo a chanceler, a Colômbia já foi o segundo país com mais minas terrestres no mundo. O memorando permite aumentar a presença de militares brasileiros no trabalho de remoção desses artefatos.

Aloysio destacou ainda o crescimento de 25% no volume de comércio entre os dois países no ano passado. A ideia é realizar um encontro entre empresários de Brasil e Colômbia para aumentar o intercâmbio. Ele comentou que, no ano que vem, os dois países terão praticamente uma zona de livre comércio, com a redução a zero das tarifas de importação. Estão em negociação ainda acordos de proteção de investimentos e de compras governamentais.

A chanceler agradeceu o Brasil por acompanhar o processo de paz com as Farc e frisou que a cooperação técnica na área agrícola será fundamental para o período pós-conflito em seu país. O Brasil ainda participa das negociações de paz do governo colombiano com a ALN.

Holguín deverá ser recebida mais tarde pelo presidente Michel Temer. Na semana passada, ele editou um decreto e uma Medida Provisória para ampliar as ações de ajuda aos venezuelanos que ingressaram no Brasil, principalmente pela fronteira com Roraima.

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