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Cotidiano

Água do Rio Paraopeba, atingido pela lama, não deve ser consumida

Pablo Pereira, enviado especial, e Lígia Formenti

Brumadinho e Brasília

31/01/2019 08h18

As águas do Rio Paraopeba, atingido pelo rompimento da Barragem Mina do Feijão, apresentam riscos à saúde humana e animal. Comunicado conjunto das Secretarias de Estado de Saúde, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Pecuária e Abastecimento de Minas divulgado na noite de ontem adverte que qualquer pessoa que tenha tido contato, ingerido ou consumido alimentos preparados com a água que apresentarem náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tontura ou outros sintomas deve procurar a unidade mais próxima de saúde.

As análises foram feitas com mostras coletadas entre os dias 25 (quando o acidente ocorreu) e 29. Foram encontrados valores até 21 vezes acima do aceitável de chumbo total e mercúrio total. Também foi constatada a presença de níquel, chumbo, cádmio e zinco, no dia 26, em um dos pontos de monitoramento. Diante dessa situação, o governo de Minas desaconselha o uso da água para qualquer finalidade até que a situação esteja normalizada. A recomendação vale desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão até Pará de Minas. Deve ser respeitada uma área de 100 metros das margens acometidas.

A população da região de Pará de Minas, município que tem o Rio Paraopeba como um dos três fornecedores de água da cidade, já está preocupada com a chegada da mancha de lama que vazou da barragem de Brumadinho. Na manhã de ontem, equipes da empresa municipal que capta água na Estação de Tratamento (ETA) de Córrego do Barro, a cerca de 25 quilômetros da sede da cidade, e funcionários de uma empresa contratada pela Vale, preparavam equipamentos para tentar reduzir o impacto da onda de lodo.

"A lama está em Florestal, uns 15 quilômetros rio acima", disse um morador que auxiliava as equipes da Vale e da Águas de Pará de Minas no descarregamento de 250 metros de boias. O sistema, segundo técnicos do local, funciona como uma espécie de filtro, com uma malha de tecido especial pendurada da superfície da água ao fundo.

As boias serão instaladas em forma de um cerco para tentar proteger o ponto das bombas que recolhem a água do Paraopeba para a ETA do Córrego do Barro. No local, à beira do rio que passa nos fundos de uma fazenda, a ordem era ninguém comentar a operação. Pela manhã, helicópteros da Vale sobrevoaram o local.

Para Francisco José da Silva, de 63 anos, agricultor da região, a mancha da Vale ainda não chegou, mas a preocupação, sim. "Vai acabar com tudo: peixe, água de beber, gado", afirmou.

Captação

Na empresa Águas de Pará de Minas, a informação é a de que técnicos e laboratórios da empresa estão preparados para manter a qualidade e o controle da água. A empresa disse, por meio da assessoria de imprensa, que o sistema capta também dos Ribeirões Paiva e Paciência, duas fontes que não têm ligação com o Paraopeba. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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