Autonomia, imigração e controle: britânicos explicam por que apoiaram saída do Reino Unido da UE

Para que o Reino Unido tenha controle sobre sua leis e finanças, para livrar-se dos burocratas da União Europeia, por mais controle no fluxo migratório, para não pagar por economias quebradas como as de Portugal e Grécia.

Após a divulgação do resultado, os eleitores que optaram pela saída da UE no plebiscito de quinta-feira vêm refletindo sobre sua decisão. Abaixo, eles explicam seus argumentos para terem assinalado "Leave"e criticam as medidas para tentar reverter a decisão, como a petição que pede uma nova consulta e já tem mais de dois milhões de assinaturas.

Mike James, 64, Surrey

Votei para deixar a UE, mas o resultado foi, francamente, uma surpresa para mim, como foi para muitas pessoas.

Eu sou muito pró-Europa e o Reino Unido ainda é parte da Europa, mas a UE hoje tem pouca ou nenhuma semelhança com a que eu votei há muitos anos.

Não amadureceu e sua ideologia é falha. O Reino Unido tem tido muito pouca influência sobre as decisões tomadas na UE e as leis e soberania deste país foram erodidas e ameaçadas.

Espero que o Parlamento britânico seja responsável ante à população votante para realizar as suas promessas e políticas.

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Se o governo não fizer isso, ele pode ser tirado pelo voto e substituído. Nós não precisamos da aprovação da UE para governar o nosso país.

Nosso governo precisa nomear os melhores negociadores para realizar o processo de saída e estabilizar a incerteza atual. Discutir sobre o resultado é inútil e antidemocrático na arena política.

A população do Reino Unido precisa se juntar agora. O processo democrático acabou. Precisamos mostrar aos outros na Europa que grandes reformas na UE são necessárias se é para continuarmos.

Jean White, 67, Sheffield

Votei a favor da adesão à Comunidade Econômica Europeia há 40 anos. Votei para o que pensava que era o livre comércio entre o Reino Unido e os seis países fundadores.

Não votei para o que a UE estava se tornando, o que parecia ser um estado federal dirigido por burocratas de Bruxelas que, creio, não servem os interesses de qualquer dos Estados membros da UE.

Por esta razão, votei pela saída na quinta-feira. Apesar de ter sentido alguma ansiedade, eu também me sinto esperançosa.

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Não tenho dúvidas de que veremos alguns tempos de turbulência econômica inicialmente, mas vimos turbulência econômica durante a recessão, e antes disso, com as altas taxas de juros e de inflação dos anos 1970 e 80.

Como uma eleitora que votou pela saída, ainda sou europeia. Ainda acredito em acordos comerciais mutuamente benéficos, tanto com a Europa quanto com o resto do mundo, e apoio a imigração controlada.

A Grã-Bretanha foi, é e continuará a ser um grande país. Sou otimista. Devemos ver o "Brexit" como uma oportunidade.

Susan Mitchell, 55, Newport, Wales

Votei para deixar a UE, porque sinto que o público britânico é considerado insignificante.

Precisamos ser capazes de tomar nossas próprias decisões, que nos afetam, incluindo nossas leis e nossos gastos e, não menos importante, quanto dinheiro vai para a UE.

A quantidade de dinheiro que enviamos para a UE é atroz.

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O governo pediu um voto para ficar ou sair da UE e as pessoas votaram pela saída.

O resultado da votação deve ser respeitado. Caso contrário, os eleitores deste país só terão voz quando o resultado é o que os políticos querem ouvir.

Deve ser lembrado que esta é uma democracia e todos devem respeitar os desejos da maioria.

Andy Davies, 32, Nottingham

Votei pela saída, mesmo tendo em conta o impacto que isso pode ter sobre o meu trabalho.

Era hora de tomarmos o controle de nosso próprio destino e os interesses do público britânico.

Temos sido um fantoche da Europa por muito tempo, tendo que pagar uma quantia exorbitante de dinheiro pelo privilégio.

Todo o dinheiro que gastamos sendo um membro da UE poderia ter sido gasto em outras questões muito mais importantes, tais como os salários dos médicos, em vez de apoiar os países que não conseguem controlar suas próprias economias como a Grécia, Espanha e Portugal.

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Existem muitas razões pelas quais este período vai ser difícil, especialmente para meus empregadores e clientes. Já vimos os impactos nas taxas de câmbio.

Não sabemos como isso vai afetar nossas condições comerciais gerais. O restante dos ativistas que está fazendo uma convocação para uma nova votação deveria ter vergonha.

A taxa de participação foi a mais alta em muitos anos, até mais do que a última eleição geral.

O público britânico saiu em seus milhões para expressar a opinião que resultou na saída da UE.

Se fôssemos fazer uma nova votação, isso afetaria completamente quaisquer futuras votações públicas neste país.

Assim, mesmo depois de ouvir tudo o que pode acontecer, não iria mudar a forma como votei.

Howard Caney, London

Votei pela saída e estou satisfeito por ter feito isso. Foi o resultado que queria e agora podemos começar a tomar o controle de nossas próprias finanças.

Todos os meus amigos também votaram pela saída. Não faz sentido estar dentro. Como advogado, vejo a legislação absurda da Europa na qual nós não temos voz.

Não tenho um problema com a imigração, mas ela precisa ser mantida sob controle, para ajudar o nosso sistema nacional de saúde e o sistema de benefícios.

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Não podemos continuar a socorrer os países mais pobres. Se houvesse um teste mais rigoroso dos que estão vindo para cá, talvez teria votado para ficar.

Estou mais do que feliz com a minha escolha. Sabíamos que a libra iria cair, mas dê a ela um par de meses e isso não afetará muito a nossa economia.

Ela vai crescer, com mais mercados se abrindo, os quais eram anteriormente restritos pela UE. Os alemães ainda vão nos vender carros e os franceses vão nos vender vinho. Nós ainda podemos viajar para lá.

As pessoas estão com medo de mudança. Parece que tomaram a atitude corajosa e outros podem seguir.

Simon Crane, Brighton

Votei pela saída e depois de ler as reações de alguns na Europa e aqui, estou convencido de que votei na direção certa.

Esta era para ser uma eleição democrática, mas aqueles que perderam estão procurando um segundo plebiscito e agora estamos sendo intimidados para uma saída rápida por aqueles em posições de poder na Europa. Isso não é uma resposta democrática.

  • 'Pais fundadores' da UE pressionam britânicos por saída rápida

A Escóssia agora quer um segundo plebiscito sobre a independência. Eles não estavam conscientes quando eles tiveram o primeiro que o Brexit poderia vir no futuro?

Se a Escóssia quer tornar-se independente e ficar dentro da UE, então eu desejo-lhes a melhor sorte.

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