A brasileira nascida nos EUA que caça votos de americanos para Hillary Clinton no Brasil

Luis Barrucho

Da BBC Brasil, em Londres

  • Arquivo pessoal

    Filha de pais brasileiros, Melissa Mello e Souza foi chefe do comitê brasileiro do Partido Democrata

    Filha de pais brasileiros, Melissa Mello e Souza foi chefe do comitê brasileiro do Partido Democrata

Em uma eleição historicamente disputada voto a voto, 8,7 milhões eleitores podem fazer a diferença.

Esse é o número estimado de americanos -- entre civis e militares -- que vivem fora do país.

A intérprete Melissa Mello e Souza, de 50 anos, faz parte desse contingente.

Filha de pais brasileiros, ela nasceu em Washington, nos Estados Unidos, onde passou cerca de metade de sua vida antes de se mudar para o Rio de Janeiro, no final da década de 90.

Mas Melissa nunca deixou de lado as raízes americanas. Apesar de morar longe da terra natal, ela faz questão de votar em cada eleição presidencial.

Sua participação, contudo, vai muito além do simples dever cívico.

Melissa dedica-se a convencer americanos radicados no Brasil a votar no Partido Democrata, cuja candidata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, disputa a corrida presidencial deste ano com o empresário Donald Trump, do rival Partido Republicano.

Nesta terça-feira, os Estados Unidos estão escolhendo o substituto de Barack Obama na Casa Branca pelos próximos quatro anos.

A votação, no entanto, já está ocorrendo há algumas semanas, uma vez que o voto antecipado é permitido no país.

No caso dos americanos que vivem no exterior, isso é possível por correio ou pela internet -- as regras variam de acordo com o último Estado de residência do eleitor.

"Já votei (por correio, em Hillary) e uso as redes sociais para tentar arrebatar mais adeptos", relata Melissa à BBC Brasil.

Para isso, ela conta com a experiência de quem, quando jovem, fez campanha para o ex-presidente Bill Clinton chegar à Presidência, em 1992, e, até recentemente, era chefe do comitê brasileiro dos Democrats Abroad ? o braço do Partido Democrata no exterior.

Segundo o Censo brasileiro, cerca de 50 mil americanos vivem atualmente no Brasil.

Comitê inativo

Melissa ficou no cargo por dois anos ? período máximo do mandato. Sem substituto, o comitê acabou dissolvido e está atualmente inativo, segundo informou o Democrats Abroad à BBC Brasil.

"Nesse momento, o comitê brasileiro está inativo, mas nossa equipe regional aqui nos Estados Unidos vem trabalhando pesado para assegurar que os simpatizantes do Partido Democrata no Brasil estão sendo contatados e estimulados a votar", afirmou por email à BBC Brasil Jody Quinnell, vice-presidente regional do Democrats Abroad para as Américas.

"Nossos membros estão engajados nessa eleição (...) estamos confiantes de que eles estão comprometidos e que teremos um novo comitê no Brasil operando no futuro", acrescentou.

Isso não impede Melissa, no entanto, de continuar fazendo campanha pelo partido ? especialmente via redes sociais.

Ela ainda é moderadora das páginas do Democrats Abroad no Brasil no Twitter e no Facebook, por meio das quais posta chamadas para a votação e conversa com potenciais eleitores.

Cenário diferente

Apesar dos esforços de Melissa, o cenário atual é bem diferente do de 2012, quando Barack Obama foi reeleito, conta ela.

Em março daquele ano, ela foi alçada à coordenação do comitê brasileiro do Partido Democrata. Ao perceber que não havia ninguém no Brasil responsável pela campanha de reeleição do presidente americano, Melissa se lançou candidata à presidência do comitê.

Eleita após uma votação-relâmpago, uma de suas primeiras medidas foi reativar o banco de dados, cadastrando membros do partido e simpatizantes -- ao fim de sua gestão, a rede de contatos cresceu mais de 50%.

Como nos Estados Unidos o voto não é obrigatório, a mobilização para cadastrar eleitores tem papel central no processo eleitoral.

A intérprete também promoveu atividades e eventos junto à comunidade americana em alguns Estados brasileiros. Também visitou escolas internacionais.

No entanto, segundo Melissa, após a reeleição de Obama, o trabalho ficou mais difícil.

Ela conta que, de um lado, a crise econômica brasileira levou muitos americanos a voltarem para os Estados Unidos. De outro, Hillary não tem o mesmo carisma de Obama entre o eleitorado.

"Com a recessão aqui, muitos dos nossos membros voltaram para os Estados Unidos. Além disso, entre a comunidade americana, Hillary não desperta o mesmo entusiasmo do que Obama. Ela é uma figura politicamente mais gasta e tem menos empatia junto ao público", avalia.

A BBC Brasil entrou em contato com o Partido Republicano, mas não há representante no Brasil. O braço do partido no exterior -- o Republicans Abroad -- foi extinto em 2013.

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