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De Bebianno a Floriano: as mudanças no 1º escalão do governo Bolsonaro em seis meses

Após demisão, Santos Cruz disse que governo Bolsonaro se perde com "besteiras" - REUTERS/Adriano Machado
Após demisão, Santos Cruz disse que governo Bolsonaro se perde com "besteiras" Imagem: REUTERS/Adriano Machado

21/06/2019 18h44

Jorge Francisco de Oliveira assumirá como ministro da Secretaria-Geral da Presidência no lugar do general Floriano Peixoto; troca representa a quinta mudança entre os nomes fortes do governo Bolsonaro em um semestre.

A dança das cadeiras precoce no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) continua.

Jorge Francisco de Oliveira será o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, segundo anunciou o presidente nesta sexta-feira, 21 de junho. O cargo era até então ocupado pelo general Floriano Peixoto, que foi transferido para o comando dos Correios.

Oliveira comandava a Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, órgão que analisa a legalidade dos atos presidenciais - área que passará a integrar a Secretaria-Geral.

Oliveira disse que, em um primeiro momento, acumulará a função com a de ministro.

Advogado e policial da reserva, Oliveira é considerado um nome de confiança de Bolsonaro.

Ele tem uma relação de longa data com a família. Seu pai foi por 20 anos assessor do presidente quando ele ainda era deputado federal. Por sua vez, Oliveira assessorava o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, na Câmara.

"[Oliveira] me acompanha há mais de 10 anos, 15 anos. É o prefeito do Planalto. Desejo a ele boa sorte, felicidades e mais do que isso, temos plena confiança no trabalho dele, como tínhamos no do Floriano", disse o presidente.

Por sua vez, Peixoto entrará no lugar do general Juarez Cunha, que estava na presidência dos Correios desde novembro passado. Nomeado por Michel Temer, foi mantido no cargo por Bolsonaro.

A demissão de Cunha foi anunciada na semana passada pelo Planalto, sob o argumento de que o militar se comportava "como sindicalista" e é contra a privatização dos Correios.

A troca representa a quinta mudança entre os nomes fortes do governo Bolsonaro em seis meses. Confira a seguir quem já deixou cargos do primeiro escalão ou maior destaque neste período e quem assumiu em seu lugar.

Gustavo Bebianno

Homem de confiança de Bolsonaro e um dos coordenadores da campanha à Presidência, Gustavo Bebianno não durou muito tempo no governo.

No dia 18 de fevereiro ele foi demitido da Secretaria-Geral por "incompreensões e questões mal entendidas", como definiu o presidente em nota. Essa seria a primeira das três mudanças que ocorreram na pasta em menos de seis meses de governo.

A demissão ocorreu em meio a uma crise após o jornal Folha de S.Paulo revelar que Bebianno repassou, quando presidia o PSL, R$ 400 mil para a campanha de uma candidata a deputada federal em Pernambuco que recebeu 274 votos.

A crise se agravou quando Bebianno se desentendeu com Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente e vereador no Rio de Janeiro.

Após negar que fosse pivô de uma crise no governo e dizer que falou com o presidente três vezes com o presidente naquele dia, Bebianno despertou a fúria de Carlos.

O filho de Bolsonaro usou as redes sociais para dizer que Bebianno mentiu e chegou a divulgar um áudio no qual, segundo eles, o presidente diz que não poderia falar com o ministro.

Bebianno foi sucedido pelo general Floriano, que agora dá lugar a Oliveira.

Ricardo Vélez Rodríguez

Indicado por Olavo de Carvalho para o Ministério da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido em 8 de abril, após uma série de polêmicas e desgastes nos 97 dias em que esteve à frente da pasta.

Enquanto era ministro, Vélez criticou turistas brasileiros ao dizer que agiam como "canibais". "Acha que sai de casa e pode carregar tudo", declarou. Depois, desculpou-se e afirmou amar o Brasil e seu povo "incondicionalmente".

Em fevereiro, foi criticado por enviar uma carta a diretores de escolas em que pedia que os alunos fossem filmados cantando o Hino Nacional, sem que houvesse autorização dos pais, e encerrou o texto com o slogan de campanha do presidente - "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" -, o que é ilegal.

Depois, recuou na medida e divulgou uma versão do texto sem a frase e afirmando que a questão do hino era apenas uma sugestão.

Atritos e disputas internos também levaram à saída de alguns de seus subordinados, como o ex-assessor especial Silvio Grimaldo e o ex-secretário executivo Luiz Antonio Tozi.

Dias antes de anunciar a demissão, em um encontro com jornalistas, Bolsonaro disse que Vélez é "uma boa pessoa", mas que estava "bastante claro que não está dando certo (sua gestão)".

Em seu lugar, assumiu o economista Abraham Weintraub, que foi um dos integrantes da equipe do governo de transição comandada pelo atual ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Carlos Alberto dos Santos Cruz

Durante os seis meses em que fez parte da Secretaria de Governo, o general Santos Cruz se envolveu em alguns embates com os filhos de Jair Bolsonaro e o filósofo Olavo de Carvalho.

Um desses embates começou após uma entrevista de Santos Cruz à rádio Jovem Pan. Na ocasião, ele disse aos jornalistas que a influência das redes sociais é benéfica, mas também pode "tumultuar" e que deve haver cuidado para que ela não vire uma "arma de discórdia".

Jair Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma mensagem irônica sugerindo que defensores de qualquer controle de meios de comunicação ou da internet poderiam fazer um estágio "na Coreia do Norte ou em Cuba".

Olavo de Carvalho também respondeu de maneira mais ríspida: "Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda".

Além desse desgaste, Santos Cruz ainda teria discordado com diversas decisões tomadas pelo pelotão de elite do governo e foi demitido mesmo após fazer uma ampla defesa do governo no Senado.

Uma semana após deixar o cargo, Santos Cruz disse em entrevista à revista Época que o governo Bolsonaro se perde em "um show de besteiras". Na quinta-feira, depois de participar da Marcha para Jesus, o presidente disse que o general é uma "página virada".

Joaquim Levy

O economista liberal pediu demissão da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 16 de junho, após Bolsonaro dizer que Levy estava com "a cabeça a prêmio". Foi a primeira baixa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O presidente não aprovou a indicação, feita por Levy, de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco porque ele foi assessor na instituição durante o governo do PT.

Levy também fez parte da gestão petista, como ministro da Fazenda de Dilma Rousseff. Mas Bolsonaro disse em outra ocasião que havia dado um voto de confiança a ele a pedido de Guedes, porque não havia nada que o desabonasse.

O descontentamento se deveria ainda ao fato de Levy não ter entregado uma promessa de campanha de Bolsonaro: abrir a suposta "caixa-preta" do BNDES, investigando supostas irregularidades ou ilegalidades em operações do banco durante os governos do PT, como o financiamento a empreendimentos no exterior ou empréstimos a grandes empresas brasileiras.

O próprio Guedes também teria ficado insatisfeito com o fato de Levy não estar liberando um repasse maior de recursos do BNDES para a União para ajudar a fechar as contas públicas.

Para seu lugar, foi escolhido o engenheiro e economista Gustavo Henrique Moreira Montezano, então secretário especial adjunto de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, que estaria mais alinhado com os objetivos do governo.

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