Poloneses marcham contra governo conservador

Milhares de pessoas participaram de protesto na capital Varsóvia contra reformas impostas pela legenda eurocética Lei e Justiça. Manifestantes criticam leis que afetam independência da Justiça e da mídia do país.

Milhares de poloneses foram às ruas da capital Varsóvia neste sábado (27/02), protestar contra a política conservadora do governo. Com gritos de "vamos defender a democracia", os manifestantes criticaram as recentes reformas implementadas pelo Partido Lei e Justiça (PiS), que venceu as eleições legislativas de outubro passado.

As manifestações foram convocadas pelo Comitê de Defesa da Democracia (KOD), criado em novembro em resposta às reformas restritivas impostas pelo novo governo.

"Queremos uma Polônia livre e aberta", declarou o fundador do comitê, Mateusz Kijowski. "Foram 100 dias de violação da lei e eu temo que o pior ainda esteja por vir", disse Ryszard Petru, líder do partido de centro-esquerda Nowoczesna.

Os atuais protestos dão continuidade a uma série de manifestações contra as mudanças que deram mais poder de intervenção ao governo sobre o Tribunal Constitucional Federal, restringindo a independência da instituição, além de terem possibilitado maior controle sobre a mídia e outras instituições.

Representantes da União Europeia (UE) analisam um processo inédito para averiguar se as reformas feitas pelo novo governo polonês violam as regras democráticas do bloco.

Acusações contra Walesa

Muitos manifestantes carregaram cartazes com a imagem do ex-presidente da Polônia, Lech Walesa, que afirma que o atual governo está "arruinando o país".

Antigo líder do sindicato Solidariedade, Walesa foi acusado recentemente de ter sido informante do regime comunista em troca de dinheiro, mas ele argumenta que os documentos apresentados pelo Instituto da Memória Nacional da Polônia são forjados.

Apoiadores do ex-presidente dizem que o PiS tenta destruir a reputação do ex-presidente. Durante a marcha, o líder do KOD leu uma carta de Walesa dirigida aos manifestantes: "Nos meus piores sonhos, jamais previ que, depois de anos de luta pela liberdade e após repressão e sequestros, o aparato do Estado democrático iria se virar contra nós, os oponentes perseguidos do sistema comunista."

KG/ap/dpa

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