Suíça reforça fronteira para não virar país de trânsito de refugiados

Carsten Grün (fc)

Autoridades suíças registram aumento no número de migrantes que chegam ao país pela fronteira com a Itália. Muitos deles têm como destino final a Alemanha ou a Suécia.

A Suíça é um país rico e de belas paisagens. Ainda assim, para muitos refugiados que entram no país pela Itália, a pequena república alpina é pouco interessante: o destino deles é a Alemanha e o norte da Europa. Para chegar até lá, eles usam os "buracos" da fronteira suíça, afirma o ministro das Finanças e chefe do Corpo de Guarda de Fronteiras do país, Ueli Maurer.

Maurer, do partido populista de direita SVP, identifica os "buracos" principalmente nos vales localizados no sul dos cantões dos Grisões e de Ticino. Lá, no sul da Suíça, o número de refugiados aumentou muito nos últimos dias.

Por causa do influxo proveniente da Itália, as autoridades intensificaram o controle na fronteira. Só na região de Lugano foram registradas, em junho e julho, cerca de 9.900 entradas ilegais, e 4.200 pessoas foram imediatamente deportadas para a Itália, afirmaram as autoridades de fronteira suíças.

Em todo o país, mais de 22 mil refugiados entraram ilegalmente na Suíça de janeiro a julho, dos quais 8.300 tiveram que retornar ao país aonde haviam chegado à União Europeia. A maioria dos refugiados que chega à Suíça é proveniente da Eritreia, seguida por Gâmbia, Nigéria e Afeganistão.

A guarda fronteiriça de Ticino foi reforçada e trabalha 24 horas por dia, já que os migrantes chegam geralmente à noite e não mais durante o dia, afirma Maurer. As demais regiões de fronteira registraram nenhuma chegada ou números baixos. A única exceção é Lausana, localizada na fronteira com a França. Na região, mais de 3.118 pessoas foram interceptadas. As autoridades acreditam que haja uma rota através da França.

"Atestado de incapacidade para a Europa"

Miriam Behrens, diretora da organização de ajuda a refugiados Schweizerische Flüchtlingshilfe, critica os procedimentos das autoridades do país. "O que podemos observar é que existe o chamado perfil racial. Pessoas de pele escura são retiradas de trens e ônibus e levadas para interrogatórios."

Os migrantes têm a possibilidade de requerer refúgio na Suíça e permanecer no país, mas nem todos o fazem. A maioria diz que deseja seguir para a Alemanha ou a Escandinávia. Nesse caso, porém, existe a ameaça de deportação imediata para o país aonde chegaram - geralmente a Itália. Behrens explica que muitas pessoas não conhecem o conceito de refúgio. "O número dos que se tornam ilegais é muito grande", diz.

A Suíça tem um outro motivo para agir de forma restritiva: não quer se tornar país de trânsito. "Como outras nações, a Suíça tenta se proteger", opina a diretora. "O resultado disso é que os refugiados são empurrados de um lado para o outro na Europa. Isso é um atestado da incapacidade da Europa e um problema de todos os europeus."

Aumento nas fronteiras do sudoeste alemão

Muitos refugiados que conseguem chegar até a Suíça tentam depois entrar na Alemanha. Somente em junho e julho de 2016, cerca de mil pessoas atravessaram a fronteira entre os dois países de forma ilegal. Em abril haviam sido menos de 300.

Entre janeiro e julho, quase 3.400 refugiados chegaram à Alemanha através da Suíça. No mesmo período do ano anterior foram aproximadamente 2.500. O Ministério do Interior em Berlim confirma que houve um aumento nas chegadas de refugiados provenientes da Suíça, mas que o número diário está na casa dos dois dígitos.

Para Behrens, muitas pessoas não querem ficar na Suíça, um país economicamente estabilizado, porque têm na cabeça as imagens da Alemanha ou da Suécia, onde geralmente já moram conhecidos ou parentes. Assim, muitos tentam chegar a esses dois países mesmo quando pediram refúgio, inicialmente, na Suíça.

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