Água potável chegará a mais pessoas em Inhambane

Romeu da Silva (Inhambane)

Diariamente, os habitantes de Morrumbene e Homoíne, sul de Moçambique, têm de percorrer longas distâncias para encontrar água. Para resolver o problema, foi lançado um projeto para construção de redes de abastecimento.

Elsa, de 19 anos, vive em Morrumbene, província de Inhambane, no sul do país, a mais de 400 quilómetros da capital Maputo. Todos os dias tem de percorrer uma distância de 40 minutos a pé para ir buscar água, para beber, cozinhar e tomar banho. "Se sairmos às seis temos de esperar porque há filas enormes. Há muita gente que procura água", conta. "É difícil mesmo", lamenta.

Também Nilza, da mesma idade, disputa a única fonte de água existente naquela região. Como é estudante, reserva os sábados para tentar conseguir 80 litros. "Quando acordo às seis, só consigo duas latas de água. Mas se acordar às cinco posso arranjar três ou quatro ", explica.

Também o distrito de Homoíne está a braços com problemas de água. Emília Erasmo, de 17 anos, tem de andar seis horas para obter apenas 20 litros de água, que não chegam para dar banho crianças e cozinhar. "Estamos a sofrer por causa da água. Levamos três horas à procura de água".

A professora Felizarda Guambe conta que teve de gerir situações de alunos que tinham de se levantar de madrugada e faltavam às aulas para ir à procura de água. "Mas ultimamente, porque os pais já estão consciencializados, sabem qual é a importância da educação e deixam as crianças ir à escola", explica.

Sistemas de abastecimento

Para minimizar este problema, o Governo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e União Europeia (UE) lançaram esta quinta-feira (25.08) um projecto para construir sistemas de abastecimento de água àquelas duas regiões.

Marcoluigi Corse, da UNICEF, mostrou-se preocupado com este cenário e afirmou que as infraestruturas em construção "irão contribuir para o aumento considerável da cobertura de água nestas vilas, melhorando assim as condições de vida de famílias que aqui residem". Deverão também melhorar as condições de água e saneamento nos hospitais, nas escolas e nos mercados públicos.

Segundo o chefe de Operações da Delegação da União Europeia em Moçambique, Enrico Strampelli, este gesto mostra que a UE está comprometida com os programas do Governo de Moçambique. "O apoio concedido a Moçambique continua no âmbito do programa indicativo nacional do décimo primeiro plano de 2014 a 2020 que prevê um apoio de mais de 700 milhões de euros", lembrou.

Quase metade da população de Moçambique, estimada em pouco mais de 25 milhões de habitantes, não bebe água de fontes seguras.

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