E-mails voltam a assombrar campanha de Hillary

FBI coloca escândalo de volta à corrida presidencial, e Trump ganha munição para atacar democrata em seu ponto mais sensível. A menos de duas semanas das eleições, pesquisa sugere disputa acirrada.A corrida eleitoral americana foi chacoalhada, a menos de duas semanas da votação, pela surpreendente revelação pelo FBI de que está investigando mais e-mails como parte de um inquérito – que já havia sido encerrado – sobre o uso de um provedor privado por Hillary Clinton. O anúncio, feito nesta sexta-feira (29/10), caiu como uma bomba em Washington. O caso está sendo tratado pela imprensa americana como um revés inesperado para Hillary e como uma bem-vinda munição para Trump, que centra seus ataques à rival justamente na questão da segurança. Os e-mails foram encontrados num computador de Anthony D. Weiner, um ex-deputado democrata, casado como uma das mais próximas assessoras de Hillary, forçado a renunciar em meio a um escândalo sexual em 2011. Mais sobre conteúdo e origem do material, não se sabe. Em breve carta ao Congresso, o diretor do FBI (a polícia federal americana), James B. Comey, não revelou quanto tempo iria levar para completar a apuração do caso ou quão significativo o novo material poderia ser para a investigação. A declaração surpreendeu a campanha de Hillary, que pressionou pela revelação de mais detalhes, ao mesmo tempo em que tentou minimizar o caso. Trump, por sua vez, correu para tentar capitalizar a polêmica, chamando-a de "maior que Watergate". "A corrupção de Hillary Clinton é em uma escala que nunca vimos antes. Nós não podemos deixar que ela leve seu esquema criminoso para o Salão Oval", afirmou o candidato republicano, durante ato de campanha. Conteúdo incerto O FBI investigou por cerca de um ano o uso de um servidor privado de e-mails por Hillary, quando ela era secretária de Estado, entre os anos de 2009 e 2013, devido a preocupações de que mensagens pudessem conter material confidencial. Em julho, porém, o FBI concluiu que a forma como ela lidou com essas informações, embora "extremamente descuidada", não constituíam base para que fosse aberto um processo criminal contra a hoje candidata democrata. Por isso, a notificação do diretor do FBI ao Congresso foi uma formalidade: ele já havia prestado juramento aos legisladores de que a investigação estava encerrada, e qualquer possibilidade de mudança nessa conclusão precisaria ser informada. O chefe da campanha de Hillary, John Podesta, considerou, porém, ser "extraordinário" o fato de o FBI divulgar a carta enviada ao Congresso tão perto do final de uma eleição tão polarizadora quanto a atual. "O diretor deve isso ao povo americano, fornecer imediatamente todos os detalhes do que ele está agora examinando. Nós estamos confiantes de que isso não vai produzir nenhuma conclusão diferente da que o FBI chegou em julho", disse a campanha de Hillary em comunicado. Ataques republicanos A revelação colocou de volta à campanha caciques do Partido Republicano que haviam se distanciado em meio à série de acusações de assédio sexual contra Trump. As críticas mais ferrenhas a Hillary vieram do presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan. "Foram confiados a ela alguns dos segredos mais importantes de nossa nação, e ela traiu essa confiança tratando informações secretas de forma extremamente descuidada", afirmou Ryan. A questão dos e-mails é a pedra no sapato de Hillary na campanha. Pesquisa de setembro do jornal Washington Post revelou que 62% dos americanos desaprovam a conduta dela nessa questão como secretária de Estado. A última sondagem do jornal, divulgada neste sábado e realizada entre as últimas segunda e quinta-feira, mostra Hillary com 47% das intenções de voto em nível nacional, apenas dois pontos à frente de Trump. A margem de erro é de três pontos. Pesquisas similares divulgadas durante a semana mostram a volatilidade do eleitorado, e como eles parecem suscetíveis a notícias como a revelada nesta sexta pelo FBI. Em sondagens da rede CNBC e do jornal USA Today, por exemplo, Hillary aparece nove pontos à frente de Trump; na da Associated Press, a vantagem chega a 14 pontos.

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