Como se tornar um ciborgue

Manasi Gopalakrishnan (ca)

"Biohacker" implantou na própria mão chip que lhe permite abrir portas, pagar pelo transporte público e se identificar. Digitalização e edição do genoma devem revolucionar identidade humana, afirma.O ativista sueco Hannes Sjöblad não se parece com um ciborgue. Ele não tem um braço biônico para quebrar paredes nem pernas de titânio para correr mais rápido do que um felino selvagem. Mesmo assim, não há termo melhor para descrever alguém que carrega um chip do tamanho de um grão de arroz na mão esquerda e o utiliza para entrar em casa e no trabalho ou para andar de ônibus e metrô. "Para mim, a tecnologia tem uma importância fundamental pela forma que está transformando não somente a mídia, não somente os negócios, não somente a sociedade, mas a forma como nos vemos como seres humanos", afirmou Sjöblad no Global Media Forum de 2017, conferência anual de mídia que a DW realiza em Bonn, na Alemanha. "Identidade é um monte de coisas. Tem a ver com o lugar onde você nasceu, com o seu gênero, a sua genética, a sua orientação sexual e muitas outras coisas. Identidade é algo que lhe é atribuído por outros, mas também algo que assumimos", disse. "É algo que você define cada vez mais como seu. Você pode dizer: 'Eu sou isso' ou 'Eu não sou mais aquilo'", explicou, apontando que a internet nos ajuda a nos conectarmos, com nossas identidades únicas, com pessoas que pensam de forma semelhante. Mas o segundo e talvez mais interessante aspecto da digitalização é o fato de podermos experimentar com nossa identidade, afirmou o ativista da biotecnologia. Ele se autodenomina um biohacker, uma pessoa que hackeia processos orgânicos e biológicos, com o intuito de aperfeiçoá-los. Todos nos tornaremos super-humanos? De acordo com seu site, Sjöblad "trabalha para democratizar radicalmente o acesso a tecnologias poderosas. Nesse sentido, ele não recua de experiências tecnológicas com o próprio corpo". Além disso, ele prevê um futuro em que "o corpo humano terá capacidades fundamentalmente diferentes das que possui hoje". É nesse ponto que o chip em sua mão entra em cena. "É uma tecnologia que temos empregado industrialmente em animais há mais de 30 anos", assinala o ativista. "Há coisas que consegui substituir, que não tenho que carregar mais nos meus bolsos devido ao implante", disse o biohacker, descrevendo como o dispositivo implantado serve de chave para seu escritório, armário, apartamento, como também de cartão para academia de ginástica, etc. Ele também pode salvar dados em sua mão, "como um pendrive", explicou. "Eu não carrego mais papel ou cartões de visita. Você só precisa deslizar o seu smartphone sobre a minha mão para acessar os meus contatos diretamente do meu chip", afirmou, provocando risos na plateia. Para aqueles interessados em ter um chip implantado em seus corpos, Sjöblad organiza "festas de implante" em diferentes cidades do mundo. "Estamos vivendo a mudança" Para aqueles que desejam dar um passo adiante, a edição do genoma humano promete se tornar uma tendência acessível nos próximos anos. De acordo com Sjöblad, um kit de testes poderá, em breve, ser tão pequeno como uma barra de chocolate Snickers e custar tanto quanto uma casquinha de sorvete. Acessar a sequência de DNA de alguém pode possibilitar que cientistas e especialistas "editem" o código e façam mudanças em atributos físicos e talvez até mentais de uma pessoa. Segundo Sjöblad, tudo isso irá se traduzir em muita diversidade, numa "explosão dramática" de todos os tipos de identidade em todo o mundo. "Estamos entrando numa era completamente nova da evolução humana. Penso que a ideia de podermos nos projetar geneticamente seja uma transformação tão dramática na evolução biológica como quando os primeiros animais se arrastaram do mar para a terra. E estamos vivendo justamente no meio dessa mudança."

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