Tragédia faz Alemanha questionar segurança em ônibus

Após acidente que matou 18, alemães debatem se normas de segurança mais rigorosas são necessárias para ônibus de viagem, sobretudo diante do boom vivido pelo setor. Autoridades criticam "irresponsabilidade" de curiosos.A tragédia desta segunda-feira (03/07) numa autobahn (autoestrada) no sul da Alemanha, que deixou 18 mortos e 30 feridos, levantou questionamentos sobre a segurança do transporte de ônibus de viagem no país, setor que vive um boom há cerca de quatro anos. No acidente, um ônibus com 48 pessoas a bordo, em sua maioria idosos, colidiu contra a traseira de um caminhão e se incendiou rapidamente. A colisão aconteceu num trecho em que o trânsito estava lento na autobahn 9, perto da cidade de Münchberg, na Baviera. As investigações estão em andamento. O debate se centra no momento se um sistema de frenagem de emergência teria salvado vidas. Por meio dessa tecnologia, câmaras e sensores de radar detectam obstáculos na estrada, alertam o condutor com uma luz de aviso e sinais auditivos, freando automaticamente caso o motorista não reaja. Isso permite ao menos aliviar a batida, ou mesmo evitá-la como no caso ideal de sistemas mais modernos. O acidente foi um dos mais sérios desde que a circulação de ônibus interurbanos foi amplamente liberada em 2013. Até esse ano, ainda estava em vigor uma legislação dos anos 1930, que privilegiava o transporte ferroviário na ligação entre duas cidades na Alemanha. Em 2013, foram registrados na Alemanha 8,2 milhões de passageiros de ônibus interurbanos no país. Em 2016, esse número subiu para mais de 30 milhões, segundo dados do Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha. Economia em segurança Para garantir que acidentes como esse em Münchberg não aconteçam mais, sistemas de frenagem de emergência, que não possam ser desligados e que respondam a extremidades de engarrafamentos, são importantes e deverão ser implantados, aponta Hermann Winner, especialista em condução autônoma na Universidade Técnica de Darmstadt. Desde 2015, esse sistema é obrigatório para o licenciamento de novos ônibus. Até novembro de 2018, veículos mais antigos também deverão ser adaptados. No entanto, sistemas de frenagem automática podem ser facilmente desligados, algo que Hans-Ulrich Sander, especialista em transportes motorizados da Associação da Inspeção Técnica da Renânia (TÜV Rheinland), disse considerar um erro, em entrevista à emissora pública ZDF. "Os sistemas de frenagem de emergência não devem ser desativáveis", afirmou Sander, exigindo que essa lacuna na lei seja fechada o mais rápido possível. Fabricantes de ônibus, como Daimler ou MAN, também disponibilizam sistema de aviso de distância, velocidade e saída de faixa. Um sistema de detecção de sonolência soa um alarme, se o motorista não estiver mais atento à estrada. Segundo fontes do setor, algumas empresas de ônibus, no entanto, economizam e não compram todos os programas. Num futuro próximo, ônibus escolares e urbanos vão dispor de vista área virtual com visibilidade 360°, que mostra de uma vez só ao motorista o que está acontecendo no ponto cego, na lateral e na traseira do ônibus. No local onde aconteceu a tragédia, o limite de velocidade era 120 km/h. Até agora, intriga os especialistas o fato de nem a carcaça do caminhão nem do ônibus, apesar de queimadas, demonstrarem grandes danos derivados da batida em si. Também não há informação sobre a velocidade em que o ônibus se encontrava - sabe-se apenas que o caminhão à frente trafegava em velocidade reduzida, devido a um congestionamento. Direção autônoma No entanto, ônibus de turismo completamente autônomos não deverão circular em breve, afirma Winner, explicando que a atual tecnologia ainda não consegue superar diversas situações especiais. E os motoristas precisam também atender aos passageiros, assim a racionalização de gastos por meio da tecnologia ainda não é um modelo de negócios para o setor, acrescenta o professor da Universidade Técnica de Darmstadt. Torsten Fleischer, do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, aludiu aos miniônibus autônomos, que atualmente estão sendo testados em Berlim, na suíça Sion e algumas outras cidades. Renomados fabricantes de carros, caminhões e ônibus estão trabalhando agora na tecnologia de condução autônoma. Mas ainda há muito que fazer até que veículos sem motoristas sejam adaptados para o uso diário nas cidades, aponta Fleischer, acrescentando que não se pode descartar com absoluta certeza que um ônibus de direção autônoma não venha colidir contra um caminhão parado. Peritos ainda têm que avaliar por que o ônibus se incendiou tão rapidamente no acidente de segunda-feira. Joachim Herrmann, secretário do Interior da Baviera, assegurou no local do acidente que os bombeiros tentaram tudo humanamente possível para resgatar os passageiros presos, mas que o calor das chamas foi forte demais. "Curiosos irresponsáveis" O secretário do Interior bávaro lamentou ainda o que chamou de "um comportamento totalmente irresponsável e vergonhoso" de alguns motoristas. Como a faixa de emergência – que os motoristas devem abrir entre as duas faixas da esquerda da autoestrada – não era larga o suficiente. Isso acabou atrapalhando a livre circulação das unidades de emergência. E principalmente veículos maiores teriam perdido um tempo precioso, reclamou Herrmann. Além disso, na pista oposta, alguns curiosos teriam causado quase mais acidentes. "A falta de disciplina das pessoas é irritante", queixou-se o governador da Baviera, Horst Seehofer. Agora, o ministro alemão dos Transportes, Alexander Dobrindt, está considerando aumentar a multa sobre curiosos em locais de acidente. "É realmente uma vergonha e uma falta de responsabilidade, quando motoristas diminuem drasticamente a velocidade na pista oposta, para ver o que aconteceu", disse o ministro à emissora pública ARD. CA/afp/dpa/ard/dw

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