Siemens acusa russos de desviar turbinas para a Crimeia

Empresa alemã processa sua própria filial e estatal russa por enviar equipamentos para a península, em clara violação de sanções internacionais e contratos de entrega.Pelo menos duas turbinas a gás da Siemens, originalmente vendidas para a Rússia, tiveram a Crimeia como destino final, caracterizando violação de sanções internacionais. A revelação foi feita nesta segunda-feira (10/07) pela própria empresa alemã, que, citando "fontes confiáveis", afirmou que o desvio foi feito sem o seu consentimento. Em comunicado, o conglomerado industrial alemão afirmou que duas de quatro de suas turbinas a gás destinadas a um projeto em Taman, no sul da Rússia, foram deslocadas para a Crimeia contra a vontade da empresa. "Isso constitui uma clara violação dos contratos de entrega da Siemens, que proíbem claramente o nosso cliente de fazer entregas para a Crimeia", acrescentou. A Crimeia tem sofrido sanções da União Europeia no campo da tecnologia de energia desde a anexação da península pela Rússia, em 2014. Em 2015, ainda antes de as sanções da UE terem sido introduzidas, a Siemens havia adquirido um contrato para fornecimento de turbinas para uma estação de energia na Rússia. Segundo a empresa alemã, nele se lê, explicitamente, que as peças não podem ser transportadas para a Crimeia. "Nos últimos meses, nosso cliente nos confirmou diversas vezes por escrito que uma entrega para a Crimeia não iria ocorrer", afirmou a Siemens, acrescentando que investigará o caso e processará os "indivíduos responsáveis". Como o projeto em Taman nunca saiu do papel, a empresa exige o retorno das turbinas. Nesta terça-feira, a empresa alemã apresentou ações judiciais contra a sua própria representante em São Petersburgo, da qual é acionista majoritária, e contra uma empresa estatal russa para a qual elas foram vendidas. A promotoria de Munique, onde fica a sede da empresa, investiga se funcionários desrespeitaram sanções internacionais. A Rússia tenta diminuir a dependência da Crimeia da eletricidade que vem da Ucrânia, depois de várias sabotagens nas linhas de transmissão. O presidente Vladimir Putin disse, no ano passado, que a Rússia vai investir 50 bilhões de rublos (828 milhões de dólares) para melhorar a infraestrutura energética da Crimeia até 2020. IP/afp/dpa/ap

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