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Assembleia do Equador autoriza julgamento de vice-presidente no caso Odebrecht

26/08/2017 16h09

Até mesmo o partido de Jorge Glas votou pelo prosseguimento da investigação. Engenheiro relatou pagamento de 14 milhões de dólares em propina para políticoA Assembleia Nacional do Equador autorizou na sexta-feira (25/08) que o vice-presidente do país, Jorge Glas, seja alvo de investigação penal por suspeita crime de associação ilícita em um caso que envolve propinas pagas pela empreiteira brasileira Odebrecht.A decisão foi tomada por unanimidade entre os 128 membros da assembleia presentes na sessão. Entre eles os membros do partido governista, Aliança País, a qual Glas é afiliado."Por unanimidade, o plenário da Assembleia Nacional autorizou a acusação penal do vice-presidente Jorge Glas”, informou a conta do Legislativo no Twitter.Ao longo da semana, Glas disse que provará sua inocência no caso. Ele nega ter participado de qualquer processo de licitação de obras envolvendo a empreiteira.O engenheiro José Conceição Filho, ex-diretor da Odebrecht no Equador, disse em depoimento concedido para o Ministério Público Federal do Brasil que pagou pelo menos 14,1 milhões de dólares de propina entre 2012 e 2016 para Glas.Entre 2010 e 2012, o atual vice ocupou o cargo de ministro dos Setores Estratégicos do Equador, uma pasta que foi responsável por grandes projetos de infraestrutura durante o governo de Rafael Correa, entre a Refinaria do Pacífico e a Hidrelétrica Manduriaco, que renderam centenas de milhões de dólares para a Odebrecht.Decisão Com a decisão do Poder Legislativo, o mais alto tribunal de Justiça do país agora pode fixar uma data para realizar a audiência na qual irá vincular Glas ao processo penal. No processo estão envolvidos altos funcionários do governo do ex-presidente Rafael Correa e um tio do vice-presidente.A Corte Nacional de Justiça necessitava da autorização da Assembleia Nacional antes de iniciar o julgamento penal contra Glas, cujos poderes de vice-presidente foram retirados no início do mês pelo presidente Lenín Moreno, que acusou o vice de falta de lealdade com o governo.À época, Glas desafiou a decisão do presidente de afastá-lo, destacando o que chamou de caráter político da medida. "Fui eleito vice-presidente [...] e vou terminar meu mandato", afirmou em comunicado. "Esta é uma clara retaliação política por agir de acordo com o que minha consciência dita."Uma das funções que Glas ocupava como vice era a de supervisionar um projeto de milhões de dólares para a reconstrução de casas destruídas num terremoto devastador ocorrido no país em 2016, que matou 600 pessoas.Em dezembro do ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA informou que a Odebrecht pagou cerca de 788 milhões de dólares em propinas em 12 países, entre eles o Equador. O relatório mostrou que no país, entre os anos de 2007 e 2016, a construtora pagou propinas no valor de mais de 35,5 milhões de dólares a "funcionários do governo".JPS/rt