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Os vinhos brancos alemães

Luisa Frey

10/03/2018 09h45

Os vinhos brancos alemães - Nem só de riesling vivem as vinícolas da Alemanha. Conheça as principais variedades de uvas brancas cultivadas no país, incluindo uma joia que ainda não foi descoberta e uma especialmente aromática.Quando o assunto é etílico, a Alemanha é conhecida internacionalmente não apenas pela cerveja e pelo destilado de ervas Jägermeister, mas também pelo vinho – sobretudo o branco. Em 2013, os vinhos brancos corresponderam a 64,5% da área dedicada à vinicultura na Alemanha.

O riesling é o mais famoso e o favorito deles – merecidamente –, mas há uma série de outras variedades de uvas brancas que são cultivadas no país. Confira as principais:

Riesling

Produzido há séculos no país, é hoje o principal vinho exportado pela Alemanha, considerada a terra natal da variedade. Cerca de metade das uvas riesling produzidas no mundo estão em solo alemão. Há plantações de riesling de norte a sul da Alemanha, e o vinho da região vinícola de Mosel, às margens do rio Mosela, é considerado um dos melhores.

O riesling pode ter graduações alcoólicas variadas: desde delicadamente frutado, com cerca de 10% de álcool, passando por vinhos secos complexos, com até 14% de graduação alcoólica.

No passado, o riesling doce predominava no mercado, mas aos poucos as vinícolas passaram a investir também em vinhos mais secos. Os rieslings secos (trocken) e meio-secos (halbtrocken) combinam sobretudo com pratos leves, como peixe e aves. As variações mais doces harmonizam com queijo fresco. O halbtrocken é meu favorito.

O riesling típico tem uma coloração amarela desbotada, tendendo para um amarelo esverdeado. Essa variedade de uva é uma das mais aromáticas, remetendo principalmente a pêssegos e maçãs. À medida que o vinho amadurece, desaparecem os aromas de frutas e vêm à tona as notas minerais.

A origem do riesling é um mistério. Alguns dizem que foi trazido à Alemanha pelos romanos. Os primeiros registros sobre a variedade datam do século 15, das regiões alemãs do Rheingau e do Mosel.

Rivaner

Também denominada müller-thurgau, esta variedade está presente em sete das 13 regiões vinícolas da Alemanha, ocupando cerca de 13% da área de cultivo total. As principais regiões produtoras são Rheinhessen, Baden e Palatinado (Pfalz).

Quando o vinho traz a denominação rivaner ou müller-thurgau no rótulo, pode-se esperar um vinho seco, relativamente jovem, leve e fresco. De coloração amarelo-palha até amarelo-claro, este vinho é fácil de beber. Daqueles para se beber no dia a dia.

Com algumas exceções, trata-se de um vinho que não se deve armazenar por muito tempo. O sabor é melhor nos primeiros anos após a colheita. Costuma ter aroma floral e levemente frutado, com notas de noz-moscada – o que o deixa levemente doce, mesmo quando se trata de um vinho seco.

Segundo o Instituto Alemão do Vinho (Deutsches Weininstitut), a origem desta variedade remete ao professor Hermann Müller, do cantão suíço de Thurgau, que cultivou a variedade de uva numa área dedicada a pesquisa, a partir de um cruzamento de riesling e madeleine. Já o nome rivaner, seria uma junção das palavras riesling e silvaner, variedades que por muito tempo foram consideradas as raízes do müller-thurgau.

Grauburgunder

Também chamado de grauer burgunder ou pinot gris, corresponde a 5,5% da área dedicada à vinicultura no país. A região de Baden é a que mais produz a variedade na Alemanha.

Quando jovem, um grauburgunder de seco a meio-seco é leve e ótimo para o verão. Variações mais secas vão bem com frutos do mar, massa, cordeiro, carne de caça e queijos moles maduros. Quando doce, o vinho combina com sobremesas com mel, amêndoas ou marzipã.

O pinot gris da Alemanha é mais delicado e floral que o cultivado na Itália. A cor varia de amarelo-palha a dourado. Costuma ter aromas de nozes, manteiga e de frutas, como pera, passas, abacaxi e frutas cítricas.

Weissburgunder

Também conhecido como weisser burgunder ou pinot blanc, este vinho é cultivado sobretudo em Baden, seguido por Rheinhessen e Palatinado. Corresponde a 4,7% da área de produção alemã.

Assim como o grauer burgunder, costuma ter aroma de nozes, maçã, pera, damasco, frutas cítricas e abacaxi. Fácil de beber, vai bem com frutos do mar, peixe, vitela, carne de porco e ave. A cor do vinho é geralmente amarelo-claro.

Silvaner

Cultivado há mais de 350 anos na Alemanha, o silvaner ocupa cerca de 5% da área vinícola do país. As regiões de Rheinhessen e Francônia (Franken) correspondem, juntas, a mais de três quartos da variedade produzida em solo alemão.

Um vinho descomplicado, o silvaner pode ser considerado um dos grandes vinhos alemães que ainda não foram descobertos pelo grande público. Costuma ter aroma de ervas ou groselhas e acidez moderada. Harmoniza com aspargos ou peixe. Quando cultivado em solos mais pesados, pode ganhar um aroma de peras maduras e alcachofras.

O nome da variedade é curioso. Cientistas já especularam se silvaner remeteria à Transilvânia ou a Silvan, uma pequena cidade na Ásia. Hoje, análises genéticas revelaram que se trata de um cruzamento entre traminer – umas das variedades de uva mais antigas de que se tem conhecimento – e österreichisch weiß, da Áustria, o que indica que o silvaner tem suas raízes nos Alpes.

Gewürztraminer

Originário da Alsácia, este vinho ocupa menos de 1% da área de produção vinícola da Alemanha. Mas decidi falar sobre ele porque, depois que o conheci, ele passou ao posto de meu vinho favorito, antes ocupado pelo riesling.

De cor amarelo-dourado, o gewürztraminer é famoso por seu aroma excepcional – frutado (com notas de lichia, por exemplo), florado e toques de especiarias, como canela e gengibre. Em alemão, gewürz significa tempero.

A uva chama a atenção pela cor rosada da casca. O gewürztraminer costuma ser indicado como aperitivo ou na harmonização com pratos apimentados, sobremesas ou queijos fortes.

Além da Alsácia e da Alemanha – Palatinado, Baden, Rheinhessen e Saxônia –, o vinho também é cultivado no Tirol, na Austrália e na Califórnia.

Toda semana, a coluna Pitadas traz receitas, curiosidades e segredos da culinária europeia, contados por Luisa Frey, jornalista aspirante a mestre-cuca.

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Autor: Luisa Frey