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Milhares marcham em silêncio após morte de judia em Paris

28/03/2018 19h33

Franceses saem às ruas em homenagem a Mireille Knoll, uma sobrevivente do Holocausto assassinada aos 85 anos em aparente crime antissemita. Líderes de extrema direita e esquerda são vaiados ao chegar à passeata.Milhares de pessoas participaram nesta quarta-feira (28/03) de uma marcha silenciosa pelas ruas de Paris, na França, em homenagem a Mireille Knoll, uma judia francesa de 85 anos assassinada na semana passada. Autoridades estão tratando o crime como de motivação antissemita.

Representantes do governo francês e de vários partidos políticos se juntaram à passeata. Entre eles estavam o ministro do Interior, Gérard Collomb, e a ministra da Cultura, Françoise Nyssen. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, também esteve presente. As atividades parlamentares foram suspensas para permitir que políticos participassem.

Muitos dos manifestantes seguravam rosas brancas. Um dos cartazes levantados pelos participantes afirmava: "Na França, avós são mortas porque são judias". Outra faixa trazia a frase "Nunca mais" escrita em diferentes idiomas. A marcha começou na praça Place de la Nation e foi até o prédio onde Knoll morava, ambos no leste da capital.

Marine Le Pen, presidente do partido de extrema direita Frente Nacional, foi vaiada ao chegar à passeata. Antes do ato, ela havia sido avisada pelo Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif) de que não era bem-vinda na marcha.

"Eu tenho o direito de estar aqui", afirmou ela, insistindo que seu partido vem lutando "há anos" contra o antissemitismo. Um dos fundadores da legenda é o pai de Le Pen, Jean-Marie Le Pen, um negador convicto do Holocausto. A própria política causou polêmica em 2017 ao negar a responsabilidade da França na deportação de judeus durante a ocupação nazista.

Também foi vaiado ao chegar na marcha o líder de extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon, do movimento França Insubmissa e adversário de Le Pen nas eleições presidenciais francesas do ano passado. Ambos os políticos deixaram o local pouco tempo depois.

"Eu deixei bem claro. Expliquei que o grande número de antissemitas na extrema esquerda e na extrema direita tornaram esses partidos inaceitáveis", afirmou Francis Kalifat, presidente do Crif.

Várias cidades francesas realizaram marchas semelhantes em homenagem a Knoll nesta quarta-feira, incluindo Marselha, Lyon, Tours, Dijon, Estrasburgo, Metz e Nantes. Outras passeatas estão marcadas para esta quinta-feira em Orleans e Lille.

O presidente da França, Emmanuel Macron, não participou do ato em Paris, mas compareceu ao funeral da judia, realizado mais cedo nesta quarta-feira, também na capital francesa.

Morte chocou a França

Knoll, que escapou de perseguições nazistas contra judeus em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, foi encontrada morta na sexta-feira passada em seu apartamento no 11º arrondissement, no leste da capital francesa, por bombeiros que foram chamados para apagar um incêndio no local.

A autópsia mostrou que ela fora esfaqueada 11 vezes. Em seguida, seus agressores colocaram fogo no apartamento, provavelmente para tentar esconder o crime. Seu corpo estava parcialmente queimado.

A morte da octogenária, descrita pelos vizinhos como uma pessoa reservada, chocou a comunidade judaica. Na segunda-feira, os investigadores disseram acreditar que o assassinato de Knoll pode estar relacionado à religião dela.

Nesta terça-feira, dois homens foram detidos e indiciados pelo crime. O filho de Knoll, que não quis ser identificado, declarou à agência de notícias AFP que um dos suspeitos é um vizinho de 20 anos que conhecia bem a vítima e a visitara no dia da morte. Segundo fonte policial, ele tinha condenações por estupro e agressão sexual.

O segundo suspeito, de 21 anos, tem antecedentes de assalto violento. Ele estava no prédio no dia da morte de Knoll, e seu nome foi mencionado à polícia pelo primeiro suspeito.

Em 1942, aos dez anos de idade, Knoll conseguira escapar da operação em que policiais franceses prenderam mais de 13 mil judeus por ordem da ocupação alemã, fugindo com a mãe de Paris para Portugal. Após a guerra, retornou à capital francesa e se casou com outro sobrevivente do Holocausto, morto no início dos anos 2000.

EK/afp/dpa/rtr

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