OCDE destaca fim da recessão, mas reduz projeção para Brasil

Organização prevê alta da economia de 2% para este ano, e 2,8% para 2019. Entidade aponta que dívida pública bruta do Brasil alcançou 75% do PIB e que reforma da previdência é fundamental para contas públicas.Apesar de considerar que o Brasil superou a profunda recessão vivida entre 2015 e 2016, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu levemente nesta quarta-feira (30/05) a previsão de crescimento econômico do país em 2018 apara 2%. A estimativa anterior, de março, era de 2,2%.

Em seu relatório semestral, a OCDE destacou, por outro lado que para 2019 o crescimento brasileiro será de 2,8%, melhorando a previsão anterior em 0,4 ponto percentual. A organização aponta melhorias no investimento e na recuperação do consumo privado.

Segundo a OCDE, o principal motor em longo prazo do crescimento econômico deverá ser um forte desenvolvimento da produtividade, o que requer uma maior concorrência e uma maior integração na economia global, o que por sua vez deve aumentar a eficiência das empresas nacionais.

A OCDE apontou aina que, embora o desemprego tenha caído e ficado abaixo de seu pico de 13%, o crescimento do mercado de trabalho se deve em grande parte se deve a trabalhos informais.

A organização alertou também que a dívida pública bruta do Brasil alcançou 75% do Produto Interno Bruto (PIB), 20 pontos percentuais a mais em três anos, e poderia aumentar sem a realização das reformas necessárias.

A OCDE manteve sua opinião de que a reforma da previdência é o elemento fundamental para garantir a estabilidade das contas públicas e iniciar novas reformas estruturais, e afirmou que, se não for realizada, a confiança dos investidores pode cair e provocar uma volta à recessão.

Cenário global

A previsão de crescimento do Brasil está abaixo do crescimento mundial. No relatório com as previsões econômicas mundiais, a OCDE reviu em alta as previsões do crescimento mundial para este ano e 2019, para 3,8% e 3,9%, respectivamente. No entanto, alertou para vários riscos, especialmente o de uma eventual guerra comercial.

Segundo a OCDE, as baixíssimas taxas de juro mantidas pelos principais bancos centrais e os estímulos econômicos têm sido os grandes sustentos, mas o regresso à normalidade em termos de política monetária exige que a relevância passe a ser dada às melhorias da produtividade.

A taxa de desemprego geral entre os 35 Estados-membros da OECD – Brasil não faz parte – foi estimada em chegar a 5% até o final do próximo ano, o que marcaria o nível mais baixo desde 1980 e prepararia o cenário para um aumento dos salários dos trabalhadores.

"Apesar de todas essas boas notícias, os riscos são grandes para as perspectivas globais", afirmou o economista-chefe da OCDE, Álvaro Pereira. "Primeiro e mais importante, uma escalada das tensões comercias deve ser evitada."

A advertência ocorre enquanto os governos europeus se preparam para o término em 1º de junho das isenções temporárias das novas tarifas sobre o aço e o alumínio dos EUA. As tarifas iminentes ultrajaram os aliados mais próximos de Washington – nesta semana, houve tentativas de última hora de fazer Donald Trump mudar de ideia.

PV/efe/lusa/rtr/dpa

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