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Dresden reabre Pinacoteca de Velhos Mestres

Sabine Peschel (ca)

27/02/2020 12h16

Dresden reabre Pinacoteca de Velhos Mestres - Muita luz natural, dramaticidade no layout, encenação sensual: os "velhos mestres", ou seja, obras de artistas importantes, como Cranach, Rafael, Rembrandt e Van Dyck ganham novo brilho na capital saxã.Já na entrada, é fascinante a primeira impressão da Pinacoteca de Velhos Mestres completamente reformada: raios de sol incidindo pelas altas janelas no corredor de esculturas, jogos de luzes e sombras com as estatuárias barrocas de bronze, alguns quadros relacionados com os motivos das esculturas moldando o fundo colorido da encenação.

Em Dresden, nos últimos sete anos a arte anterior a 1800 só podia ser vista em exposições temporárias. A galeria no edifício Semperbau (em alusão ao nome de seu arquiteto) foi reformada, e a exposição da suntuosa coleção de pinturas e esculturas de Dresden, completamente remodelada.

Pouco antes da cerimônia de abertura, na noite desta sexta-feira (28/02), a coleção foi apresentada à mídia como "uma encenação de pura abundância". É assim que Marion Ackermann, diretora-geral das Coleções de Arte Estatais de Dresden, descreve o novo conceito de exposição: "É uma coleção que tem fortes conjuntos de obras: são 64 Cranachs, 39 trabalhos do ateliê de Rubens, 24 Van Dycks – isso deve ser percebido aqui. A sensualidade deve ser trazida de volta para as salas."

Projetada em 1855 pelo arquiteto Gottfried Semper (1803-1879), a galeria fechava o conjunto barroco Zwinger para o lado do Elba, como um museu altamente moderno, na época. Segundo Ackermann, agora o estado da Saxônia tornou novamente acessível ao público "uma das coleções mais populares do mundo", tendo investido 50 milhões de euros nas obras de reforma desde 2013.

Dresden e o mundo devem essa riqueza artística ao rei saxão Augusto, o Forte (1670-1733) e a seu filho Frederico Augusto 2° (1696-1763). Com grande paixão, esses governantes enviaram seus agentes para comprar obras de arte em toda a Europa, pinturas e esculturas impressionantes, que hoje constituem o acervo de uma coleção que abrange quase cinco milênios da arte e da história cultural europeia.



Rafael, Rembrandt e Ticiano

Em torno de Madona Sistina de Rafael Sanzio, há também muitas obras individuais ou conjuntos de obras que entraram para a memória coletiva da humanidade: A Vênus adormecida, de Giorgione; O rapto de Ganimedes, de Rembrandt; as paisagens urbanas de Bellotto; O dinheiro do tributo, de Ticiano, ou A garota do chocolate, de Jean-Étienne Liotard, um quadro muito popular entre os habitantes de Dresden.

Com um novo conceito de iluminação, muito mais luz natural do que antes, nova composição de espaço e novas cores nas paredes, as obras-primas da Pinacoteca de Dresden são exibidas de forma colorida e vivaz. "Cada sala tem seu próprio caráter, para que se possa lembrá-la e vivenciar a arte de nova maneira", enfatiza Stephan Koja, diretor da Pinacoteca de Velhos Mestres e Coleção de Esculturas.

Na exposição podem ser vistas 700 pinturas e 420 esculturas – o que é apenas uma fração do acervo. É a primeira vez que esculturas e pinturas são reunidas numa exposição permanente. A Coleção da Antiguidade de Dresden está agora exposta no térreo do Semperbau, as esculturas renascentistas e barrocas ficam nas proximidades das pinturas.

Com a reforma, muitas obras ganharam um novo brilho. O longo fechamento da galeria permitiu que as Coleções de Arte Estatais restaurassem numerosos quadros, 45 completamente e160 parcialmente. Muitas das suntuosas molduras douradas também foram restauradas.



Coleção voltada para a humanidade

"Nosso conceito se baseia na máxima de [Wilhelm von] Humboldt, 'Só quem conhece o passado tem futuro'", explicou Marion Ackermann. "Um dos princípios norteadores do atual conceito de exposição foi a questão: quando surgirá uma nova ideia de ser humano?"

Segundo a diretora, humanidade é a ideia central de muitas obras que não perderam seu brilho ao longo dos anos. Como muitos russos no século 19, o poeta Fiodor Dostoiévski era fascinado pela coleção de Dresden, e a Madona Sistina era uma de suas pinturas favoritas. Reiteradamente, ele escreveu em suas anotações que tinha de retornar à pintura de Rafael "para não se desesperar com os seres humanos".

Os museus são locais de encontro e troca, diz Stephan Koja. "Como a galeria ficaria vazia sem artistas estrangeiros!" Mas também sem turistas estrangeiros: 75% de todos os visitantes da pinacoteca vêm do exterior e ainda hoje metade deles é russa. Tradicionalmente, existe um bom relacionamento entre o Museu Hermitage, de São Petersburgo, e as Coleções de Arte Estatais.

No segundo semestre haverá uma exposição na Galeria Tretyakov, em Moscou, com empréstimos de Dresden do Romantismo. Mas outros projetos internacionais também estão planejados: em 2022, por exemplo, haverá uma grande mostra no Japão sobre a pintura Moça lendo uma carta à janela, do artista holandês Jan Vermeer (1632-1675).

Os diretores do museu de Dresden só se tornam monossilábicos quando se trata do novo conceito de segurança da coleção. Após um roubo espetacular na câmara do tesouro da Abóbada Verde, em novembro de 2019, o conceito foi "revisado", disseram. Mas o roubo de tesouros irrecuperáveis não deve estragar a alegria pelo novo orgulho do Estado Livre da Saxônia.

É preferível lembrar o entusiasmo do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, que escreveu sobre sua primeira visita ao Semperbau, em sua autobiografia De minha vida. Poesia e verdade: "A hora esperada com impaciência, em que se deveria abrir a galeria, chegou. Entrei neste santuário, e minha perplexidade superou qualquer termo que me viesse à cabeça."

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Autor: Sabine Peschel (ca)