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Inundações em Assunção ameaçam maior lixão do Paraguai

Capturado nas Filipinas, o crocodilo marinho Lolong<br> é o maior da espécie criado em cativeiro - Richard Grande/AFP
Capturado nas Filipinas, o crocodilo marinho Lolong<br> é o maior da espécie criado em cativeiro Imagem: Richard Grande/AFP

Em Manila, Filipinas

02/07/2012 02h38

Santi Carneri.

Assunção, 2 jul (EFE).- A cheia do Rio Paraguai levou a água à base do maior lixão do país, o que motivou a Câmara dos Deputados a declarar nesta quarta-feira uma emergência ambiental e o fechamento de uma parte do local, enquanto nas suas imediações famílias pobres continuam sofrendo com a situação.

O nível do rio alcançou hoje os 7,2 metros em Assunção e, à medida que aumenta, os bairros das regiões baixas da cidade perdem ruas, casas e escolas. Aproximadamente, 75 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas na capital até agora, 230 mil em todo o país, pelo aumento do nível dos rios por causa das chuvas dos últimos meses.

Em Cateura, uma dos bairros cortados pelo rio, conhecido como Banhado Sul, a água transformou o lixão em uma ilha de resíduos em forma de pirâmide.

O deputado liberal Pastor Vera Bejarano, presidente da Comissão de Ecologia, Recursos Naturais e Meio Ambiente da Câmara alertou no plenário para o "sério risco" de contaminação caso a cheia continue.

Bejarano, que impulsionou a declaração de emergência, chamou atenção para o perigo de que a água do rio se misture com o líquido acumulado na piscina de lixiviado, onde se acumulam 40 milhões de litros "com alto potencial contaminante", o que poderia gerar "uma catástrofe ambiental com consequências internacionais".

O rio chegou à base do declive que protege essa piscina, que tem dois metros de altura, segundo o deputado.

O diretor da empresa Empo & Associados, Enrique Ortuoste, que administra o lixão municipal, disse à Agência Efe que está sendo aplicado o plano de contingência estipulado e supervisado pela Secretaria do Ambiente do Paraguai (SEAM) para transferir os resíduos dentro do próprio perímetro do local. Além disso, começou a enviar para outro depósito de sua propriedade, situado no departamento vizinho de Presidente Hayes, 10% das, aproximadamente, 800 toneladas de lixo que entram diariamente.

Ortuoste explicou que foram realizados diversos testes científicos nos pântanos que rodeiam a zona e não foram detectados metais pesados, mas sim grandes quantidades de restos coliformes, que ele garante que estão ali pela falta de um plano de tratamento de águas na cidade e não pela atividade do lixão.

Em Cateura, 600 pessoas trabalham diretamente no local, número que se quintuplica se forem contados aqueles que vivem indiretamente da atividade ou da renda de seus empregados, que em sua maioria vivem no bairro limite, segundo o diretor da Empo.

O pedido da SEAM ao Congresso consiste em acelerar os trabalhos para fechar o despejo em médio prazo e converter o local "em um lugar integrado ao entorno".

O lixão tem um período de vida limitado que já as autoridades tinham previsto, mas com "a situação atual possivelmente acelere" o fechamento, disse à Agência Efe a titular da SEAM, María Cristina Morales.

"Agora entramos em processo de encerramento do depósito até que Cateura fique como uma estação de transferência, mas a reciclagem de lixo ainda será realizada", acrescentou perante as perguntas dos representantes dos trabalhadores do local, durante um ato realizado ali nesta quarta-feira.

"Nós ficamos sem trabalho se fecharem" declarou à Agência Efe Catherine Beatriz Santander de 22 anos, enquanto separava plásticos em bolsas que chegam a pesar de 30 a 40 quilos que ela depois carga para vender.

A jovem, mãe de três filhos, agora deslocada pelas inundações, trabalha no lixão desde os 14 anos e, apesar de seu salário ser de cerca de US$9 por dia, "apenas para comer", ela deseja que o lugar continue aberto.

Os afetados estão em terrenos de dois quartéis e uma prisão militar, com parentes ou distribuídos em 91 novos assentamentos que eles mesmos construíram com lonas, chapas e madeiras em ruas e praças.

"Agora é até difícil encontrar lugar nas calçadas das avenidas", explicou Catherine Beatriz, que não sabe para onde irá com sua família caso a água continue subindo.

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