Irã quer desculpas dos EUA e diz que detenção de militares "não durará muito"

Teerã, 13 jan (EFE).- O Irã exigiu nesta quarta-feira um pedido de desculpas das autoridades americanas pela incursão em suas águas territoriais de duas embarcações de guerra que foram capturadas, apesar de ter confirmado que a detenção dos navios e de seus tripulantes "não durará muito".

A afirmação foi feita pelo vice-almirante Ali Favadi, comandante da Armada da Guarda Revolucionária iraniana, o corpo responsável pela segurança nas águas iranianas do Golfo Pérsico, que ontem capturou duas patrulheiras dos EUA e seus dez tripulantes.

"Desde o início do incidente houve contatos diplomáticos. (Mohamad Javad) Zarif (ministro de Relações Exteriores) teve uma postura firme e forte e disse a (John) Kerry (secretário de Estado americano) que seus militares entraram em nossas águas e devem pedir desculpas", apontou Favadi.

Quanto à possível libertação das embarcações e dos nove homens e uma mulher retidos, o vice-almirante afirmou que a Guarda Revolucionária atuará "assim que receber a ordem pertinente das autoridades iranianas, o que, claro, não demorará muito", matizou.

Fadavi acusou às tripulações dos navios detidos de "não agir de forma profissional" durante o incidente, apesar de ter ressaltado que não aconteceu nenhum tipo de resistência quando foram abordados.

Além disso, também ressaltou que durante nos 40 minutos posteriores à abordagem, os porta-aviões dos EUA e de seus aliados presentes na região realizaram diversas manobras e desdobramentos aéreos, o que também qualificou de "pouco profissional".

No entanto, o porta-voz da Guarda Revolucionária, general Ramezan Sharif, advertiu que a possível liberação dos militares dependerá em última instância de se comprovar que a violação das águas territoriais iranianas foi só um acidente e não um ato de espionagem.

"Se as investigações mostrarem que não houve nenhum propósito, serão tratados em consequência disso, mas se os interrogatórios revelarem que foi um ato para fazer trabalhos de inteligência, os oficiais definitivamente tomarão as ações pertinentes", assinalou.

Nesse sentido, Sharif ressaltou que "o Irã nunca brinca com ninguém sobre seus interesses nacionais".

Mas o militar afirmou que as autoridades americanas podem ficar tranquilas sobre seus militares, que serão tratados no Irã "com um comportamento baseado na bondade islâmica".

A detenção das patrulheiras aconteceu na terça-feira às 16h30 (11h em Brasília) quando invadiram as águas iranianas perto da ilha de Farsi, onde o Irã tem uma grande base naval.

Fontes do Pentágono informaram ontem à noite à Agência Efe que os dois navios se deslocavam pelo Golfo Pérsico entre Kuwait e Bahrein quando sofreram uma falha e se desviaram para as águas iranianas.

As águas do Golfo, especialmente no Estreito de Ormuz, são umas das mais transitadas do mundo e obrigam os navios de transporte e embarcações militares de nações em conflito a passarem por corredores bem definidos.

Os Estados Unidos tem no Catar e no Kuwait importantes bases militares e centros de operações.

Recentemente, o Pentágono se queixou das provocações iranianas na região, como o lançamento no final de dezembro de um foguete perto do porta-aviões "USS Harry S. Truman".

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