EUA e Rússia cooperam para verificar violações a cessar-fogo na Síria

Washington, 29 fev (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, disse que estabeleceu nesta segunda-feira com seu colega russo, Sergei Lavrov, um mecanismo para comprovar a veracidade das denúncias sobre violações do cessar-fogo na Síria, e sugeriu que ambas partes em conflito poderiam ter infringido a trégua.

"Agora temos um processo de coordenação e a Rússia concordou que estamos comprometidos para que este esforço (de cessar-fogo) triunfe", declarou Kerry em entrevista coletiva em Washington junto ao ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Kerry, que falou duas vezes com Lavrov ao longo do fim de semana, afirmou que ambos estabeleceram "um processo para julgar as supostas violações da trégua".

Um "grupo de trabalho" criado sob o guarda-chuva do chamado Grupo Internacional de Apoio à Síria, liderado por EUA e Rússia, será o encarregado de avaliar as supostas violações, com equipes em Genebra (Suíça) e em Amã (Jordânia) que estão dialogando entre eles e com os diferentes atores na Síria, explicou Kerry.

"Vamos monitorar qualquer suposta violação e trabalhar ainda mais agora para estabelecer uma estrutura que nos permita garantir que as missões (que sobrevoem a Síria) estejam dirigidas contra o Estado Islâmico (EI) e a Frente al Nusra", e não contra as partes na guerra civil do país, acrescentou o titular das Relações Exteriores.

Kerry disse que até agora houve algumas denúncias de violações "de ambas partes" em conflito e que qualquer outra informação a respeito pode ser dirigida à Rússia, Estados Unidos ou à ONU.

"Os bombardeios aéreos contra os participantes do cessar-fogo têm que acabar", ressaltou.

O chefe da diplomacia americana lamentou ainda que, embora o cessar-fogo tenha facilitado a chegada de assistência humanitária às áreas assediadas, o regime sírio de Bashar al Assad está sendo "lento na hora de conceder permissões" de acesso a essas áreas.

"Este obstrucionismo tem que acabar. Urgimos aos russos e aos iranianos a fazer tudo o que esteja em seu poder para convencer seu aliado" sírio a permitir esse acesso humanitário, ressaltou Kerry.

Até agora, 116.000 pessoas receberam ajuda humanitária na Síria como resultado da cessação de hostilidades, e a ONU espera atender 1,7 milhão até o final de março, garantiu o titular das Relações Exteriores americano.

Steinmeier, por sua parte, afirmou que "foram alcançados avanços tangíveis nos últimos dias, e agora é preciso assegurar que (a cessação de hostilidades) se transforme em algo mais permanente".

Kerry e Steinmeier terão hoje um jantar de trabalho para falar sobre Síria, Líbia, Ucrânia e o fluxo de refugiados rumo à Europa, que o secretário de Estado voltou a definir como uma "crise global" e não regional.

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