Justiça sueca mantém ordem de detenção contra Julian Assange

Copenhague, 25 mai (EFE).- A Justiça sueca decidiu nesta quarta-feira manter a ordem de detenção ditada em 2010 contra o fundador do Wikileaks, Julian Assange, por um suposto crime sexual e que motivou a abertura de uma investigação preliminar neste país.

O tribunal de primeira instância de Estocolmo sustenta que Assange -refugiado na Embaixada do Equador em Londres desde 2012 para evitar sua extradição à Suécia -continua sendo suspeito de abuso em menor grau e que se mantém o risco de que queira evitar um julgamento ou uma hipotética pena.

"Levando em conta que Assange não apareceria em uma audiência e que não foram apresentadas novas circunstâncias no caso, o tribunal não considerou necessário realizar uma nova audiência", consta na decisão, que responde assim à reivindicação da defesa apresentada em fevereiro e à qual a Promotoria tinha se aposto.

O pedido dos advogados de Assange aconteceu depois que o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU concluiu que a detenção do jornalista australiano era ilegal e pediu ao Reino Unido e à Suécia que encerrassem o caso.

O tribunal de Estocolmo sustentou hoje que não considera que a estadia de Assange na legação diplomática equatoriana seja "uma forma de detenção" e ressaltou que os promotores suecos solicitaram a ajuda de Quito para realizar o interrogatório no local e que não há motivo para duvidar que ocorrerá.

"A corte estima que o interesse por investigar o crime do qual é suspeito mediante um interrogatório pesa mais do que o prejuízo que a ordem de detenção causará", afirmou o tribunal.

Tanto os governos sueco e britânico como a Promotoria sueca já tinham rejeitado a sentença do painel da ONU, sustentando que nem é vinculativo e nem afeta o processo, reduzido agora a um caso de estupro depois que prescreveram outros três crimes pelos quais Assange era investigado na Suécia.

Suécia e Equador abriram em junho uma negociação para fazer possível o interrogatório na embaixada equatoriana, depois que a promotora superior sueca, Marianne Ny, modificou meses antes sua oposição inicial.

A negociação finalizou em dezembro com a assinatura de um acordo de assistência legal em matéria penal para facilitar o cumprimento de diligências judiciais e para poder interrogar o jornalista.

Após a rejeição de Quito à solicitação de Estocolmo apelando a decisões judiciais formais, a Suécia enviou em março um novo pedido.

Assange completou em 19 de junho três anos refugiado na embaixada equatoriana em Londres ao término de um longo processo legal no Reino Unido, que decidiu a favor de sua entrega a Suécia.

A intenção do jornalista, de 44 anos, é evitar a extradição ao país escandinavo, porque teme ser enviado depois aos Estados Unidos, onde poderia enfrentar um julgamento militar pelos segredos sobre a segurança americano revelados pelo Wikileaks.

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