Obama defende movimento "Black Lives Matter" em meio a tensão com policiais

Em Madri

  • Daniel Leal-Olivas/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste domingo que o movimento "Black Lives Matter" (As vidas dos negros importam) segue a mesma tradição que o ativismo contra a escravidão e pelos direitos das mulheres, embora quem ataque a polícia "prejudique" a causa.

Em declaração à imprensa em Madri, Obama disse esperar que os integrantes desse movimento e as forças de segurança "escutem-se mutuamente" para superar as tensões da morte de dois jovens negros pela polícia e o massacre de cinco agentes em Dallas, no Texas.

"Acredito que muita gente do movimento 'Black Lives Matter' quer ver uma melhor relação entre a polícia e as comunidades" que protegem, principalmente as minorias, disse Obama após se reunir com o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy.

O movimento "Black Lives Matter", surgido por causa da morte de vários jovens negros desarmados por policiais, está no epicentro dos protestos que se intensificaram nos últimos dias nos EUA: cinco agentes ficaram feridos e 200 pessoas foram detidas na noite de sábado.

Quando algumas pessoas que estão preocupadas com a justiça no sistema penal atacam policiais, estão prejudicando a causa"

Barack Obama, na Espanha

O presidente dos EUA opinou que em um movimento como esse sempre "haverá gente que diga coisas imprudentes ou cheias de generalizações", mas que não se pode julgar todos da mesma maneira.

O líder americano recomendou aos ativistas que mantenham "um tom honrado, sério e respeitoso porque isso ajudará a mobilizar a sociedade americana a conseguir uma mudança real".

Saul Loeb/AFP

Polícia precisa reconhecer problema

Obama lembrou que, ao longo da história, os EUA se "beneficiaram" da liberdade de expressão e protesto com movimentos como o da abolição da escravidão e o feminismo, nos quais também houve ativistas que agiram de forma "contraproducente".


"Mas o objetivo era expor os problemas para que nós, como sociedade, pudéssemos enfrentá-los. O que estamos vendo agora é parte de essa longa tradição", comentou.

O governante acredita que a polícia também tem de "reconhecer que há um problema" no tratamento às minorias em algumas comunidades, porque assim "contribuirá para que haja soluções".

"Eu gostaria que todos os envolvidos se escutassem, e isso é o que acreditamos poder conseguir na próxima semana e nos meses que me restam como presidente", afirmou.

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