Kerry volta a pedir à Turquia "provas e não acusações" contra Gülen

Bruxelas, 18 jul (EFE).- O secretário de Estado americano, John Kerry, voltou a pedir nesta segunda-feira à Turquia que apresente "provas e não acusações" de que o predicador islamita Fethullah Gülen está por trás do fracassado golpe de Estado para pedir sua extradição, embora recalcou que, por enquanto, não recebeu nenhuma solicitação.

"Não recebemos nenhuma solicitação de extradição. Deixei claro ao ministro turco das Relações Exteriores que existe um processo formal e que tem que haver uma solicitação formal através dos canais legais apropriados", afirmou Kerry em entrevista coletiva conjunta com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

"Há padrões em nosso sistema jurídico, e disse ao ministro (turco) de Relações Exteriores, (Mevlüt Cavusoglu), que qualquer que seja o relatório que nos envie, este deve conter provas e não acusações", recalcou.

Além disso, "temos que ver provas reais" para estudar uma solicitação de extradição, segundo Kerry, que participou hoje de um café da manhã informal com os ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE).

Se Ancara cumprir com estes padrões, sustentou, os EUA "não têm nenhum interesse" em impedir um processo de extradição de acordo com o tratado nesta matéria que mantém com a Turquia.

Kerry disse que não havia "recebido uma solicitação (de extradição) e nem tem essas provas" que acusem Gülen, residente nos EUA e a quem o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, relaciona com a tentativa de golpe de Estado.

O secretário de Estado garantiu que Washington respalda "plenamente a liderança eleita" na Turquia, mas ressaltou que também pede "com firmeza ao governo turco que mantenha a calma e a estabilidade no país".

"Também pedimos ao governo turco que mantenha os mais elevados padrões de respeito às instituições democráticas da nação e ao estado de Direito".

"Certamente apoiaremos que os autores sejam levados perante a Justiça", mas somos contra as detenções de juízes, disse Kerry.

Mais de 7,5 mil pessoas foram detidas até o momento por suposta relação com o fracassado golpe militar na sexta-feira, entre elas cerca de 6 mil militares, 100 policiais, 755 juízes e promotores, assim como 650 civis.

"O nível de vigilância e de apuração será obviamente importante nos próximos dias" por parte da comunidade internacional com relação às detenções, afirmou o secretário de Estado americano.

Kerry lembrou que também a Otan, da qual Turquia é um membro, tem seus requisitos de respeito à democracia e "avaliará muito cuidadosamente o que está ocorrendo" na Turquia.

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