Partidários e opositores do casamento gay se manifestam no México

Cidade do México, 24 set (EFE).- Partidários e opositores do casamento entre pessoas do mesmo sexo se reuniram neste sábado no monumento do Ángel de la Independencia da Cidade do México para expressar suas posições antagônicas, separados por uma barreira de policiais da capital mexicana.

A Frente Nacional pela Família, que surgiu em resposta à iniciativa apresentada em maio passado pelo presidente Enrique Peña Nieto para dar reconhecimento constitucional ao casamento homossexual, realizou uma passeata do Auditório Nacional até o Ángel na qual segundo o grupo participaram mais de 200 mil pessoas.

"Não estamos de acordo com a lei que quer nos impor Peña Nieto do casamento igualitário. Respeitamos os gays, não estamos em guerra com eles. Estamos em defesa da família tradicional e das crianças, da inocência das crianças. Nada mais", disse à Agência Efe Cecilia, integrante da organização Minha Família como a de Nazaré.

De caminho rumo ao famoso monumento comemorativo da Independência do México, ela acrescentou que apesar de seu grupo não ter organizado a mobilização se uniu à mesma para que fosse uma marcha forte.

Já Guadalupe, da Frente Nacional pela Família, insistiu que seu grupo não é contra a diversidade sexual. "Todos somos seres humanos, todos somos valiosos. O ser humano tem uma dignidade. Aqui a questão é mais social", expôs.

"Ao ter uma vida familiar com homem e mulher você pode ter a possibilidade de ter os espelhos bons da sociedade, que são as características masculinas e femininas. Mas ao ter duas pessoas de um mesmo sexo, perde a possibilidade de ter o outro referencial", argumentou.

Porfirio, quem com sua esposa Josefina participou da caminhada, enfatizou igualmente que os participantes não são "contra nenhum grupo especificamente". "Simplesmente estamos falando de uma família constituída por homem, mulher e filhos".

Enquanto explicava sua posição, um jovem ficou atrás dele e o interrompeu proclamando "Sou homossexual, sou gay". Após uma leve hesitação, Porfirio disse: "É incrível que se tenha tomado isto como se fôssemos grupos antagonistas, quando não deveria ser assim".

Quando a passeata chegou ao monumento foi lido um manifesto em que a Frente Nacional pela Família anunciou que se constitui em um "movimento cívico permanente".

Do outro lado do monumento, de frente para ele, já tinham se reunido membros da Frente Orgulho Nacional, que apoia os casamentos homossexuais.

"A Frente Orgulho Nacional convocou esta concentração pacífica, como o podem ver, principalmente com o objetivo de mostrar à Frente Nacional pela Família que esta é uma cidade de liberdades", disse à Efe Cristian Galarza, porta-voz do grupo.

"Gostaríamos de mandar esta mensagem a eles para que compreendam que somos seres humanos igual a eles, que viemos de famílias igual a eles e que certamente também formamos famílias como eles; portanto merecemos os mesmos direitos deles", disse Galarza.

Sobre a proposta de Peña Nieto, disse que seu movimento espera que o Congresso aprove uma iniciativa a favor do casamento igualitário, seja ou não a do líder.

"Passaram muitos anos para que cheguemos a um momento em que um presidente apoie um tema deste tipo e achamos que é momento de trabalhar. Sabemos que (a proposta) está parada. Por isso é importante, apesar de reformulá-la porque talvez tenha algumas debilidades, que o tema seja abordado", avaliou.

Uma jovem chamada Adela disse que quem apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo procede de todos os segmentos da sociedade.

"Nós, na realidade, somos todos. Além dos LGBT, viemos alguns mais para apoiar sua causa, que é: não queremos cidadãos de primeira, cidadãos de segunda classe, mexicanos de primeira ou de segunda classe. Temos que ser todos iguais".

O subsecretário de Diversidade, Igualdade e Inclusão da divisão do Partido Revolucionário Institucional (PRI) da capital, Pedro Arreola, explicou à Efe que o objetivo da manifestação foi "demonstrar que a família não é natural ou artificial; simplesmente é família".

"Pedimos unicamente respeito e igualdade de condições. É a única coisa que se pede", disse.

Alguns presentes à concentração da Frente Orgulho Nacional, muito menor que a mobilização rival, tentaram passar para o outro lado do monumento para expressar seus pontos de vista a seus opositores, mas foram bloqueados por policiais da capital, cujo governo posicionou quase 2.000 agentes para evitar distúrbios.

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