Governo etíope acusa Egito e Eritreia de alimentar onda de protestos

Adis-Abeba, 10 out (EFE).- O governo da Etiópia acusou nesta segunda-feira grupos de Egito e Eritreia de participarem e alimentarem as manifestações em seu território, onde decretou o estado de emergência para conter a onda de protestos na região de Oromia, na qual dezenas de pessoas morreram na última semana.

O porta-voz governamental, Getachew Reda, assegurou que têm provas de que a Frente de Libertação Oromo (OLF, sigla em inglês), um movimento separatista que o Executivo incluiu em sua lista de grupos terroristas, recebeu apoio do Egito.

"Temos evidências suficientes de que receberam treinamento e financiamento do Egito", afirmou Reda em entrevista coletiva, na qual detalhou que as acusações não são contra o governo egípcio, mas contra grupos que operam no país.

Segundo Reda, "há todos os tipos de elementos na classe política egípcia que podem ou não estar vinculados diretamente com o governo egípcio".

O governo etíope também acusou grupos da Eritreia de armar, treinar e financiar esta onda de protestos na região de Oromia, lar do grupo étnico mais importante do país, que acusa o governo de Adis-Abeba de perseguição.

Etiópia e Eritreia mantêm uma longa disputa territorial que remonta à guerra entre ambos no período de 1998 a 2000. Em várias ocasiões, a Etiópia acusou o país vizinho de apoiar grupos armados opositores a seu governo para "desestabilizar a paz e o progresso econômico".

Os protestos se intensificaram na Etiópia durante a última semana depois que em 2 de outubro pelo menos 52 pessoas morreram em uma correria provocada por uma intervenção policial durante um festival tradicional dos oromo, no qual ocorreram algumas manifestações antigovernamentais.

Os grupos de manifestantes também provocaram grandes danos em várias instituições públicas e empresas privadas, entre elas multinacionais.

"Agora, a Etiópia enfrenta uma ameaça de segurança totalmente diferente, com grupos que estão recebendo armas, treinamento e financiamento de forças estrangeiras", comentou Reda.

Em consequência, explicou o porta-voz governamental, as medidas de segurança normais são "extremamente deficientes", por isso o governo decidiu decretar o estado de emergência no país durante um período de seis meses.

Durante o estado de emergência, a governante Frente Revolucionária Democrática do Povo Etíope (EPRDF, sigla em inglês) iniciará um diálogo político com organizações da sociedade civil e com os partidos da oposição, como foi reivindicado recentemente, garantiu o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn.

Os protestos começaram em novembro de 2015, quando os oromo passaram a exigir mais autonomia, mais presença nas instituições políticas etíopes e uma maior redistribuição da riqueza.

Agora, o regime autoritário etíope enfrenta um movimento de contestação antigovernamental sem precedentes nos últimos anos, ao qual, além da etnia oromo, se juntaram os amara, o segundo grupo majoritário, que também é considerado marginalizado pelo governo de Desalegn.

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