Fotógrafo é baleado em confronto entre polícia e usuários de drogas em SP

(atualiza com mais informações)

São Paulo, 23 fev (EFE).- Um fotógrafo foi baleado e seis agentes ficaram feridos durante um confronto entre policiais militares e usuários de drogas na Cracolândia, no centro de São Paulo, informaram fontes oficiais nesta quinta-feira.

"A situação está sob controle, mas, aparentemente, foi um tiro de munição real. O repórter (fotográfico) está sendo socorrido, é um momento crítico, mas está estável. O disparo foi de arma de fogo e na perna, aparentemente atingiu a coxa", declarou à Agência Efe um porta-voz da Polícia Militar de São Paulo.

A Santa Casa de São Paulo comunicou que o fotógrafo, identificado como Dário Oliveira e que prestou serviços para a agência de notícias "Código 19", foi ferido por "arma de fogo" e submetido a uma cirurgia, sem previsão de alta médica.

A ação policial foi realizada por soldados da Força Tática, um grupo especializado da Polícia Militar, na região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo.

Durante a operação, os usuários de drogas atearam fogo em colchões e pneus para criar barricadas que impedissem os policiais de entrar na rua Helvetia, que estava tomada de gente.

"Foi um início de agressão por parte dos moradores (da Cracolândia)", relatou a mesma fonte.

O fotógrafo "estava fazendo a cobertura e houve um confronto", segundo o porta-voz policial, que confirmou à Efe que "seis policiais foram feridos" e oito pessoas foram detidas.

Para dispersar a manifestação e resistir aos ataques com pedras, paus e coquetéis molotov, a Polícia Militar utilizou gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Outro fotógrafo que participava da cobertura, Marcelo Cordeiro, o 'Chello', da agência "Framephoto", foi atingido de raspão pela bala que feriu o colega de profissão.

"Nós estávamos ao lado da Força Tática, fotografando, quando começou o confronto com os policiais e houve bombas de gás, balas de borracha e então senti um golpe na perna, ao mesmo tempo que o colega que estava do meu lado gritou", relatou.

"(Dário Oliveira) saiu correndo e foi quando vi sangue nele e começou o desespero. Tudo indica que foi uma bala real. Eu estava com a câmera no rosto e só senti o impacto", completou o fotógrafo, cujas calças e o telefone celular foram estragados pelo raspão do projétil.

Um dos manifestantes que pediu para não ser identificado contou à Efe que o confronto começou porque uma mulher grávida foi ferida durante a ação da polícia.

"Hoje (a Polícia) deteve um rapaz, nosso amigo, bateram nele e não sabemos onde ele está. Quando bateram em uma mulher grávida, a população se rebelou contra eles, que nos atacaram com bombas e deram tiros com balas de borracha, há vários feridos", ressaltou o manifestante, que exigiu "respeito" por parte das autoridades.

Durante a ação, dois cinegrafistas, um deles estrangeiro, foram abordados por um grupo de usuários de drogas que roubaram seus telefones celulares, mas minutos depois os aparelhos foram devolvidos pelos próprios assaltantes.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que os agentes faziam patrulha "de área" e no momento de abordar as pessoas houve o confronto, "quando cerca de 300 pessoas se aglomeraram e começaram a colocar fogo em lixo, lançar pedras e outros objetos contra a polícia".

A prefeitura de São Paulo deve anunciar em março o plano "Redenção", que substitui o de "Braços Abertos", no qual usuários de drogas recebiam atendimento médico e eram hospedados em albergues municipais.

Com o novo plano, a administração municipal espera atender à população residente no local e melhorar as condições de segurança. EFE

wgm-sm/vnm

(foto) (vídeo)

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