Oposição venezuelana tenta "sacudir consciência" das forças armadas

Caracas, 26 mai (EFE).- A oposição venezuelana entregou nesta sexta-feira um documento "a todos os componentes" das forças armadas do país, com o qual pretende "sacudir a consciência" dos militares, no marco dos protestos antigovernamentais que já completam 56 dias.

No documento, intitulado "Mensagem do povo venezuelano às forças armadas", a oposição exige aos uniformizados que "contribuam a partir de sua posição para que se respeite a Constituição" e "vejam o que está acontecendo nas ruas".

"Não continuem se prestando a esse triste papel de serem guarda-costas de uma putrefata e corrupta ditadura, os venezuelanos estamos fartos do sofrimento e da burla", acrescenta o documento que foi lido hoje em uma coletiva de imprensa pelo presidente do parlamento, o deputado opositor Julio Borges.

Os opositores ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro completaram hoje 56 dias de protestos de rua, alguns dos quais se tornaram violentos e deixaram como saldo pelo menos 58 mortos, segundo números do Ministério Público.

Embora Borges tenha dito que a mensagem às forças armadas tenha sido entregue em "diferentes lugares do país", em Caracas a manifestação que pretendia chegar ao Forte Tiuna, o principal quartel do país, foi dispersada pelos corpos de segurança com bombas de gás lacrimogêneo.

"Chegou a hora de ser fiel a seu juramento, não permitam que em vez de serem vistos como os dignos herdeiros do Libertador Simón Bolívar, a história os lembre como os xerifes da ditadura de Nicolás Maduro", destaca o documento.

Em caráter pessoal, Borges declarou que as forças armadas "foram utilizadas" pelo governo de Maduro como uma "ferramenta de repressão".

"As forças armadas, neste momento, não podem obedecer ordens que são contrárias aos direitos humanos", reforçou.

Além disso, comentou que esta mensagem será interpretada pelo Executivo venezuelano como um chamado a um golpe de Estado, mas esclareceu que "o golpe de Estado já se deu" por parte do governo, ao qual acusou de violar a Carta Magna.

"O chamado que estamos fazendo é para restituir a democracia", sentenciou Borges.

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