Ministério Público da Venezuela abre investigação sobre ataque de helicóptero

Caracas, 28 jun (EFE).- O Ministério Público da Venezuela anunciou nesta quarta-feira a abertura de uma investigação sobre o ataque com disparos e granadas realizado de um helicóptero da polícia científica contra as sedes do Ministério do Interior e do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em Caracas.

"O Ministério Público investiga a subtração de um helicóptero do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (Cicpc) e o posterior ataque cometido neste 27 de junho contra o Ministério do Poder Popular para Relações Interiores, Justiça e Paz e o TSJ", afirma um comunicado da procuradoria.

O Ministério Público informou da abertura da investigação horas depois da aparição em uma cidade do estado de Vargas (próximo a Caracas) do helicóptero que foi utilizado no ataque, que foi classificado como "terrorista" pelo governo.

Um agente da polícia científica reivindicou a ação no Instagram com um vídeo em que manifesta sua intenção de derrubar o governo do presidente Nicolás Maduro junto com uma "coalizão" de militares e civis, da qual não houve informação após o ataque, e se encontra em paradeiro desconhecido desde o incidente.

A Venezuela ditou uma ordem internacional de captura contra o policial, identificado como Óscar Pérez e cuja casa foi revistada pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) pouco depois de sua ação.

Segundo informações do governo, Pérez sequestrou o helicóptero para disparar depois contra o Ministério do Interior e lançar quatro granadas - das quais três explodiram - contra o Supremo.

Uma fotografia divulgada na internet mostra um homem mascarado a bordo do aparelho pilotado por Pérez mostrando no ar um cartaz com a frase "Liberdade" e o número 350, em referência ao artigo da Constituição venezuelana que prevê a falta de reconhecimento do governo que não respeite as garantias democráticas.

A Venezuela está imersa em uma grave crise política, econômica e social e convive há quase três meses com manifestações quase diárias que exigem ao presidente Maduro a convocação imediata de eleições.

Segundo cifras do Ministério Público, pelo menos 78 pessoas morreram na Venezuela desde o dia 1º de abril durante esses protestos.

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