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Colômbia aposta no café para dar novas oportunidades a ex-guerrilheiros

09/07/2017 18h25

Popayán (Colômbia), 9 jul (EFE).- Uma turma de 30 ex-guerrilheiros das Farc participa de um curso no centro Tecnicafé, no município de Cajibío (sudoeste), para aprender o processo de produção deste grão e conseguir uma oportunidade de trabalho estável após abandonar as armas, informaram neste domingo à Agência Efe os promotores da iniciativa.

Ao longo dos próximos meses, um total 120 ex-insurgentes, que em 24 de novembro do ano passado assinaram um acordo de paz com o governo colombiano que pôs fim a cinco décadas de conflito armado, estudarão o cultivo, colheita e tratamento do café com o apoio da Federação Nacional de Cafeicultores (FNC) e o governo do departamento de Cauca.

Além disso, a empresa italiana Illycaffè se comprometeu a comprar toda a produção dos antigos guerrilheiros, que decidiram substituir s balas por grãos de café.

Segundo os idealizadores do projeto, espera-se que os ex-insurgentes fundem uma coperativa após terminarem os estudos nas proximidades da zona veredal transitória de normalização (ZVTN) de Pueblonuevo, que faz parte do departamento de Cauca, onde vivem agora enquanto fazem seu trânsito à vida civil.

A expectativa do projeto é que a primeira colheita de café preparado para exportação aconteça daqui a três anos e que, a médio prazo, sejam produzidas 100 toneladas do grão por ano.

"Na guerrilha me frustrei, se soubesse não teria entrado, mas não quero pensar nisso, e sim trabalhar para os dois filhos que tenho", explicou à Efe o ex-guerrilheiro Rufino Valencia, que faz parte do projeto.

Valencia entrou para as Farc quando era muito jovem, atraído pela oferta da guerrilha de lhe dar um trabalho estável e remunerado, promessa que se voltou contra ele e que, segundo explica, fez com que tivesse que continuar na insurgência contra sua vontade durante anos.

"Eu era só um garoto sem pai nem mãe e me puseram para dirigir uma lancha, me botaram medo dizendo que se saísse da guerrilha me pegariam e teria problemas", relata o jovem, que está ansioso concluir o curso e voltar à sua terra natal para dedicar o resto de sua vida ao cultivo de cacau, banana e café.