Ataque a peregrinos deixa ao menos 6 mortos e 15 feridos na Caxemira indiana

Srinagar (Índia), 10 jul (EFE).- Pelo menos seis pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas em um ataque insurgente nesta segunda-feira contra um comboio de peregrinos indianos que retornavam de uma visita à caverna-santuário de Amarnath, na região da Caxemira, no norte da Índia.

O ataque contra um ônibus de peregrinos "sem proteção" ocorreu por volta das 20h25 locais (11h55 de Brasília), em Khanabal, no distrito de Anantnag, declarou à Agência Efe uma fonte oficial, que pediu o anonimato.

Este ano, de acordo com as autoridades da Índia, cerca de 150 mil devotos indianos foram registrados para realizar a peregrinação à caverna de Amarnath durante o período habilitado, que começou em 29 de junho e se prolonga por 40 dias.

A caverna de Amarnath é um popular destino dos peregrinos porque segundo a tradição hindu, o deus Shiva revelou ali o segredo de imortalidade à sua esposa Parvati, palavras que foram ouvidas por dois ovos de pomba que se transformaram também em imortais.

A lenda deu lugar à crença de que aquele que peregrina até a caverna, onde há uma coluna de gelo que representa o falo de Shiva, obterá por sua vez a "mokshya" (salvação) e imortalidade.

Em 2001, em um dos piores ataques contra estes peregrinos, pelo menos 12 pessoas morreram e outras 17 ficaram feridas, entre elas dois policiais e cinco devotos.

O ataque de hoje aconteceu depois que o exército indiano matou três insurgentes na Caxemira indiana quando eles tentavam cruzar a Linha de Controle (LoC, a fronteira 'de facto' que separa a Índia e o Paquistão na região) enquanto as tropas paquistaneses supostamente apoiavam os "intrusos" com "fogo de cobertura".

Paquistão e Índia se acusaram mutuamente ao longo do dia de hoje e no último fim de semana da morte de vários civis e soldados na LoC em meio a um aumento das acusações que coincidiram com o primeiro aniversário, no sábado passado, da morte de um jovem insurgente da Caxemira que provocou meses de protestos.

A Caxemira é objeto de litígio entre o Paquistão e a Índia desde a partição do subcontinente indiano em 1947, após o fim do domínio do Império Britânico.

As Nações Unidas ditaram várias resoluções para encontrar uma solução para o conflito em uma região que tanto o governo indiano como o paquistanês exigem em sua totalidade e pela qual travaram duas guerras e vários conflitos menores.

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