Rússia realiza Congresso sobre a Síria boicotado pela oposição e pelos curdos

Ignacio Ortega.

Sochi (Rússia), 29 jan (EFE).- A Rússia reuniu nesta segunda-feira em Sochi os participantes no Congresso do Diálogo Nacional Sírio para tentar recuperar o combalido processo de paz de Genebra, um encontro marcado pelo boicote do principal grupo opositor sírio e dos curdos.

"De todas formas, esperamos que o bom senso prevaleça e os líderes da oposição síria unificada tomem a decisão de vir. O convite segue sobre a mesa", afirmou hoje Alexandr Lavrentiev, emissário do Kremlin para a Síria.

O negociador russo destacou que representantes da oposição síria no exílio, apoiada por Egito e Arábia Saudita, participarão amanhã no congresso, ainda que em nível individual, assim como ocorre com os curdos.

"Em Sochi estarão representadas todas as camadas da sociedade síria, ou seja, todos aqueles aos quais não lhes é indiferente o destino da Síria e o futuro do Estado árabe", disse Lavrentiev.

Não obstante, a realidade é que a Comissão Suprema para as Negociações (CSN), a principal coalizão política opositora, rejeitou o convite após participar das consultas em Viena na passada semana.

Seu líder, Nasser al Hariri, assegurou que o regime sírio "não acredita na solução política e não acreditará no futuro (...), já que só acredita na opção militar".

A oposição acusa Damasco de escolher a dedo a maioria dos participantes do congresso de Sochi e Moscou de tentar sequestrar o processo de paz para impor sua agenda, ampliando o número de participantes nas negociações para reduzir o peso da oposição radical.

Além disso, ao ignorar o encontro em Sochi, a oposição dificulta um dos principais objetivos do congresso que era criar uma comissão constitucional - ou, pelo menos, elaborar uma lista de possíveis membros - que se encarregaria de redigir a nova Carta Magna do país árabe.

Por sua vez, a principal formação política curdo-síria, o Partido da União Democrática (PYD, na sigla em curdo), também não viajou para o balneário russo após acusar o Kremlin de autorizar a ofensiva turca contra seu bastião em Afrin, no noroeste da Síria.

A Rússia conseguiu fazer com que a Turquia abandonasse a linha ocidental e deixasse de insistir na renúncia do líder sírio, Bashar al Assad, mas com a condição de permitir que Ancara lançasse operações contra as milícias curdas, e agora estas também se voltam contra o Kremlin.

Apesar das ausências, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apoiou a iniciativa russa, que qualificou de "importante contribuição" para reviver o processo de paz de Genebra, que está paralisado há meses.

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