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Istambul se prepara para impacto de grande terremoto em até 30 anos

22/03/2018 06h01

Ilya O. Topper e Lara Villalón.

Istambul, 22 mar (EFE).- A questão não é se um grande terremoto atingirá Istambul, mas quando, segundo o consenso entre todos os especialistas: a cidade, atualmente com 15 milhões de habitantes, foi construída em cima de uma falha geológica que deve se movimentar em breve em um ajuste feito pelas placas tectônicas.

O Observatório Sismográfico de Kandilli, na parte asiática de Istambul, registra todos os dias cerca de 40 terremotos em toda a Turquia. A grande maioria é imperceptível, mas, uma vez por semana, um tremor de magnitude 4 na escala Richter balança a cidade.

A Turquia é cortada por duas grandes falhas geológicas que se cruzam: uma parte em direção ao Mediterrâneo e outra percorre a costa do Mar Negro até se encerrar justo em Istambul, onde se encontra com a região de alta atividade sísmica do Mar Egeu.

É pela falha norte que o grande tremor se aproximará de Istambul, explicou Gülüm Tanircan, professora da Universidade Bogazici, enquanto mostra um avanço de pontos vermelhos em um mapa que reúne os tremores acima de magnitude 7, os realmente destrutivos.

"Eles estão migrando, você consegue ver? Já houve vários terremotos aqui, mas o maior na área de Mármara - que inclui o Bósforo - ainda não ocorreu", disse a especialista à Agência Efe.

Mas quando isso ocorrerá? O professor de Geologia Ahmet Ercan calcula que isso não ocorrerá antes de 2045. Tanircan é mais cética. "Não existe tecnologia para prever datas", rebateu.

"Podemos confiar nas estimativas de probabilidade. A chance de ocorrer um terremoto de magnitude 7 na região do Mármara cresce 2% a cada ano. Isso é uma taxa realmente alta. Se calcularmos para os próximos 30 anos, a probabilidade de (um tremor) ocorrer supera 50%", alertou a professora, engenheira em geofísica.

Mas o terremoto é certeza de uma catástrofe? Depende, segundo Tanircan. "Depende de onde o epicentro estiver. Se for justo no meio de Istambul, será muito destrutivo. Não afetará só aqui, mas também as cidades vizinhas", afirmou a especialista.

O fato de Anatolia ser uma região de sismos se deve à movimentação das placas tectônicas africana e árabe, que se deslocam para o norte e se encontram com a placa euroasiática, mais estática.

"Diante da pressão, o bloco anatolio tenta escapar para oeste. A pressão na falha de Mármara é realmente alta e podemos esperar uma ruptura que produzirá um tremor de magnitude 7", declarou Tarnican.

Mais ao sul, na região de Esmirna, perto das ilhas gregas, há terremotos frequentes que, todos os meses, provocam certo pânico na população, mas quase nunca afetam edifícios ou estruturas.

Diferente é o caso de Istambul, onde há cerca de 600 mil edifícios que não estão preparados para um terremoto de grande intensidade como o esperado em 30 anos. O reconhecimento foi feito pelo ministro de Urbanismo da Turquia, Mehmet Özhaseki.

O primeiro-ministro do país, Binali Yildirim, disse que em toda a Turquia há 7,5 milhões de edifícios em risco. Reformá-los todos, segundo ele, demoraria pelo menos 15 anos.

Estruturas importantes de Istambul, como os hospitais, já estão sendo erguidos com dispositivos na fundação que compensam a energia gerada pelos sismos, evitando o desmoronamento.

Além de acompanhar os tremores, o Observatório de Kandilli trabalha para educar a população sobre os riscos de terremoto. Toda semana, um grupo de estudantes vai ao local para aprender conceitos geofísicos fundamentais.

Ao lado de um velho sismógrafo com um tambor de papel há um quarto construído em madeira no qual as crianças podem se sentar e sentir os violentos tremores quando um técnico aperta um botão.

"Desde o terremoto de Izmit em 1999 (que deixou 18 mil mortos), o governo e as organizações sociais realizam um grande esforço para conscientizar a população", ressaltou Tarnican.

Os riscos, porém, não só os edifícios turcos não preparados para o impacto de um terremoto de grande magnitude. "O maior perigo são os objetos soltos em casa que esmagam as pessoas ao caírem. Se você tem uma estante de livros, prenda-a na parede", recomendou a professora.